NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Supercolisor russo recriará primeiros momentos do Universo e estimula parcerias internacionais

Com o objetivo de implementar melhores processos para pesquisas avançadas em física de alta energia, o Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear* (JINR – Joint Institute for Nuclear Research) vem construindo, desde 2013, um enorme complexo para pesquisas científicas que abrigará o supercolisor de partículas NICA (Nuclotron-based  Ion  Collider fAcility), que tem como objetivo o estudo avançado sobre as características e o comportamento da matéria nos primeiros momentos da criação do Universo, há aproximadamente 13,7 bilhões de anos, segundo considerações da ciência moderna.

Nuclotron – supercondutor de íons pesados

Baseada na cidade de Dubna, cerca de 100 quilômetros ao norte de Moscou, a construção das instalações está sob responsabilidade da construtora austríaca STRABAG, quem vem trabalhando sob um forte esquema de segurança por parte das autoridades russas, devido ao alto grau de importância do projeto, que, de antemão, já apresentou algumas das características do programa, tais como as paredes dos túneis que abrigarão o colisor que têm espessura entre 1,5 e 4 metros, para “garantir a segurança dos trabalhadores, mas também para proteger o NICA de ameaças como o impacto direto de um míssil”, explicou o chefe da obra.

Programado para ter seu comissionamento em 2020, centenas de cientistas e engenheiros aguardam ansiosamente para poder operar o colisor russo que, em seu vasto campo de atuação, deverá, a princípio, demonstrar resultados nas pesquisas sobre o estado da matéria no início da existência do Universo, quando, segundo teorias científicas, as elevadíssimas temperaturas e densidades da matéria nos primeiros microssegundos desse nascimento fizeram manifestar um estado especial de comportamento nos chamados tijolos formadores da matéria (Quarks e Gluons), que são a estrutura central de prótons e nêutrons, os quais, por sua vez, são elementos estruturais do átomo.

A infraestrutura complexa do NICA permitirá o uso para atividades inovadoras e tecnológicas em todas as áreas indicadas pelo Governo russo estabelecendo três zonas de pesquisa, as zonas de baixa, média e alta energia, permitindo que os experimentalistas realizem pesquisas sobre ciência dos materiais, nanotecnologia e picotecnologia, medicina, biologia, eletrônica, além de programas para a agência aeroespacial da Rússia – ROSCOSMOS. Considerado como um projeto internacional, 30 países já estão interessados em seus trabalhos de pesquisa e participando ativamente de sua implementação. 

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Nota:

* O Instituto Conjunto para Pesquisa Nuclear é uma organização internacional intergovernamental de pesquisa científica na cidade científica de Dubna, na região de Moscou. A JINR tem atualmente 18 Estados-Membros: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Bulgária, Cuba, República Checa, Geórgia, Cazaquistão, República da Coreia, Moldávia, Mongólia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia, Ucrânia, Uzbequistão e Vietnã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Acelerador linear de íon de luz LU20” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/lu20.jpg

Imagem 2 Nuclotron supercondutor de íons pesados” (Fonte):

http://nica.jinr.ru/images/slider/nuclotron.jpg

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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