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Tabaré Vázquez vence eleições no Uruguai, que festeja a grandeza de sua Democracia

Tal qual apontavam os institutos de pesquisa ao longo da campanha, bem como as pesquisas de busca de urna[1], o candidato da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, venceu as Eleições Presidenciais do Uruguai, alcançando 53,6% dos votos dos eleitores, de acordo com a Corte Eleitoral (CE)[2], que ratificou os resultados confirmando a vitória de Tabaré, que apontou este resultado para o primeiro colocado e informou que o candidato pelo Partido Nacional, Luís Lacalle Pou, derrotado no pleito, ficou com 41,1%.

As informações são de que houve uma abstenção de aproximadamente 20%, dos 2,6 milhões de eleitores, com uma queda de 10% em relação ao primeiro turno, quando a participação foi de 90,5%[3]. Os observadores atribuem as ausências às chuvas que ocorreram ao longo do dia, resultando na redução da presença, embora seja importante destacar que os números são significativos e animadores, uma vez que se considera a grande estabilidade das instituições uruguaias, de forma que o número de participantes tende a ser alto e, independe das abstenções, existe grande confiabilidade entre os cidadãos acerca do grandeza de sua democracia. 

A vitória de Tabaré Vázquez foi prontamente reconhecida por Lacalle que telefonou para o candidato eleito, celebrando-o e lembrando ao povo uruguaio o respeito que este tem pelas instituições políticas e regras democráticas. Declarou: “Há poucos minutos liguei para o dr. Tabaré Vázquez para felicitá-lo por ter triunfado legitimamente nestas eleições[4]. (…). “Os resultados devem ser acatados, respeitados e defendidos. Nós não somos partidários da ideia de que as maiorias estão cometendo um erro. As maiorias mandam[5].

O respeito das lideranças apenas acompanha um comportamento do povo que, conforme apontam analistas, observadores e especialistas políticos, demonstra uma conduta democrática como ocorre em poucos povos no mundo: respeitam o processo democrático, conquistado ao longo de sua história, bem como respeitam o processo político, tanto que foram vistos muitos casos de militantes adversários se encontrando, dialogando, compartilhando água, piadas e fazendo brincadeiras com relação ao opositor, mas evitando violências e ofensas, apesar de fatos dessa natureza também terem ocorrido, mas em número e densidade não expressiva para afetar o nível de educação política do cidadão uruguaio. Na noite de domingo, Tabaré apareceu diante de seus eleitores discursando: “Festejem, uruguaios, festejem. Festejemos o clima de paz, respeito e sentimento republicano dessa jornada. É um jeito de ser de nossa nação e uma conquista de todos os uruguaios[5].

A campanha teve como mote debates em torno de questões amplas, programas econômicos, a questão do Mercosul, projetos, problemas morais, mas não trouxe à tona debates sobre corrupção, ofensas pessoais, desvios de verbas, acusações específicas que poderiam rebaixar o nível do processo, apesar de Tabaré ter evitado participar de debate, algo que irritou Lacalle, e ter ocorrido um esfriamento da campanha no segundo turno, uma vez que o diferença entre os dois candidatos no primeiro turno apontava como quase certa a vitória de Tabaré.

O candidato eleito conseguiu também apoio de setores descontentes com algumas medidas de Mujica, como a questão do consumo da maconha, uma vez que ele se posicionou contra a forma como estava sendo tratado o problema, além de outro do mesmo quilate, e, por isso, embora represente uma sequência nas propostas da Frente Ampla, que alcançou o poder em 2005, exatamente com a primeira eleição de Tabaré Vásquez à Presidência do Uruguai, ele adota uma linha própria, mais ao centro, tanto que não apresenta alinhamento automático com os membros do Mercosul, contra os quais tem posicionamentos e críticas acerca de seus comportamentos, perspectivas e procedimentos.

Analistas lembram que em muitos momentos, durante sua primeira gestão, Tabaré chegou a indicar que sairia do Bloco e assinaria acordo bilateral com os EUA e com europeus, devido a incapacidade dos Mercosul de se organizar, bem como de seus membros produzirem instituições sólidas, ao ponto de ser percebida uma liderança virtual por parte do Brasil, que não se reconhecia como um legítimo condutor do processo de organização do Mercado Comum do Sul, cedendo aos erros institucionais da Argentina e à fragilidade da construção do Mercosul.

Acreditam os especialistas que Tabaré assumirá com o mesmo comportamento, evitando posicionamentos ideológicos ou defesas ideológicas dos membros dos seus parceiros do Cone Sul e da Venezuela. Apontam que sua tendência será mais de centro, uma vez que deseja dinamizar a economia, preservando as conquistas sociais, bem como investindo na continuidade do programa de inclusão social, mas com maior respeito a iniciativa privada.

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Imagem (Fonte):

http://www.lr21.com.uy/wp-content/uploads/2013/08/TABARE-interior.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2014/11/30/interna_mundo,546185/vazquez-vence-eleicoes-no-uruguai-segundo-jornal.shtml

Ver também:

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/internacional/2014/11/49/Tabare-Vazquez-eleito-presidente-Uruguai,635ed29a-844d-4dcf-a600-8dabf3fe1441.html

[2] Ver:

http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3330961&Itemid=1

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/11/apenas-80-dos-uruguaios-foram-urnas-dizem-jornais.html

[4] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/11/lacalle-pou-reconhece-a-vitoria-de-tabare-vazquez-no-uruguai.html

[5] Ver:

http://brasil.elpais.com/m/brasil/2014/12/01/internacional/1417400455_910304.html

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Ver também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/tabare-vazquez-e-eleito-presidente-do-uruguai.html

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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