AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Estados Unidos, Cuba e as Relações Internacionais

Para a história das Relações Internacionais, a semana passada reservou o testemunho do rompimento do que vários analistas e observadores internacionais consideram como uma das maiores e mais longas injustiças diplomáticas da contemporaneidade, cunhada pelos episódios que dividiram o sistema internacional do século XX em duas ideologias predominantes. O evento histórico marcante, ocorrido no dia 20 de março, foi a viagem do Presidente dos EUA à Havana.

O lapso temporal da ausência de um Presidente norte-americano em terras cubanas durou 88 anos, desde que o presidente Calvin Coolidge (1923-1929) pisou pela última vez na ilha caribenha. Para que as relações bilaterais entre Cuba e Estados Unidos tenham condições recuperar a amplitude de antes da Revolução de 1959, algo agora admissível, devido a essa ação de Barack Obama, quatorzes presidentes passaram pela Casa Branca, tendo mantido uma postura belicista para com a Ilha. Foram exatamente as diretrizes em política externa da administração do atual Presidente, mesmo em fim de mandato, que tornaram aceitáveis, ainda que simbolicamente, traçar novos parâmetros para a reaproximação cubano-americana.

Ao longo dessa importante reaproximação, inúmeras possibilidades começaram a surgir, como medidas ascendentes de recuperação que poderão ser vivenciadas em longo prazo. Especialmente na esfera econômica e diplomática, tanto para Havana e como para Washington, houve a constatação de que, neste fim de mandato presidencial de Obama, a América Latina voltou a ser foco para a política externa estadunidense.

Nesse sentido, a ponderação feita pelo presidente Barack Obama ao longo de dois mandatos permite elucidar uma questão importante: o restabelecimento das relações com a América Latina, bem como a política externa para a Ásia, conhecida como “Pivot para Ásia”, apontam que a diplomacia estadunidense passou a direcionar-se no sentido do “soft power”, uma vez que adotar tal conduta ocasiona oportunidades para que os laços, outrora frouxos, com os demais países do continente possam ser restabelecidos e aprofundados, criando, dessa forma, mecanismos de recuperação de zonas de influência perdidas com a aproximação feita pela China na região, especialmente nos períodos em que governos com tendências de esquerda administravam países estratégicos do continente americano.

Para Cuba, as conquistas terão seus reflexos explicitamente perceptíveis no futuro médio e longo, contudo, o presidente Raúl Castro já implementa medidas, cujos avanços resultam em uma tímida liberalização do mercado, com incipiente setor privado. As reformas, oficialmente conhecidas como “atualização do socialismo”, já preparam o país. Dentre as medidas mais importantes, está a sucessão da família Castro, que deve ficar a cargo de Miguel Díaz-Canel, 1º Vice-Presidente, e, consequentemente, o primeiro na linha sucessória. Na ótica do plano reformista, a prerrogativa que será debatida na Convenção do Partido Comunista em abril será como ampliar o mercado privado, que hoje emprega 20% da força de trabalho, ou um milhão de pessoas, e gerar novas formas de desenvolvimento econômico, com atividades além da turística. Foi para estimular esta medida que o Presidente estadunidense pensou no ganho estratégico de organizar uma viagem de estado antes do principal evento Governista cubano, consolidando uma vantagem para Barack Obama chancelar sua posição de abrir os canais políticos, econômicos e comerciais com Cuba.

Com a conjuntura cubano-americana ganhando novos desdobramentos, é permitido traçar um paralelo com a questão dos laços reconstituídos com Mianmar, ou, oficialmente, República da União de Mianmar. Nos primeiros dias do mandato de Barack Obama, uma das prioridades da política externa seria estreitar os laços com Mianmar, um país que, na época, estava isolado por decorrência das políticas da Junta Militar, detentora do poder constitucional, que era acusada pela Organização das Nações Unidas de cometer abusos aos Direitos Humanos, acarretando, portanto, em inúmeras sanções que tornaram o desenvolvimento econômico e social inviáveis.

Esse quadro desfavorável, além da proximidade geográfica da China, assim como o interesse dos chineses no país, fizeram com que as políticas da Casa Branca precisassem ser mudadas, haja vista o pouco resultado prático das sanções econômicas. Com a mudança da conduta política, os últimos sete anos renderam para as relações EUA-Mianmar o relaxamento das sanções, o restabelecimento de relações diplomáticas (com nível de embaixada, já em território birmanês), novos programas de assistência e negociações quanto à restauração dos laços militares.

A interpretação de Mianmar, como “case de sucesso”, posiciona os Estados Unidos no papel de um protagonista em processo contínuo de transição de postura em política externa, ou seja, quando necessário, articula conjunturas que favoreçam as negociações, em detrimento de imposição militar e coerção hegemônica. A abordagem utilizada quebra o paradigma de anos de isolamento e define bases para uma nova relação, a qual aumenta a margem de manobra, não só com os envolvidos diretos, mas com toda uma região, passando a mensagem de integração.

Por fim, com vistas ao futuro, a Diplomacia de Obama impõe uma escolha para o próximo Presidente, ao bancar: uma reaproximação com Cuba; também uma reaproximação com a América Latina; o Acordo Nuclear do Irã, celebrado com mais cinco potências; o Acordo climático EUA-China e a Parceria TransPacífico, com mais doze nações.  Nesse sentido, conforme apontam especialistas, ou os Estados Unidos voltam a alimentar ressentimentos e deficiências no plano político-estratégico, ou movem-se para uma grande integração, auxiliando no desenvolvimento econômico próspero, sustentável e multilateral, tal qual o atual Presidente idealizou no início de seu mandato.

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Texas não apoia decisão de Obama em acolher 10.000 refugiados sírios em 2016

Desde o início da Guerra na Síria (2011), milhares de cidadãos sírios procuram um lugar onde possam sentir-se seguros e, por muitas vezes, arriscam suas vidas para alcançar esse objetivo. Normalmente, os países vizinhos da Síria são os escolhidos como “rota de fuga”. No entanto, após a recusa de muitos deles, bem como dos países da União Europeia em receber em seu território esses refugiados, o presidente estadunidense Barack Obama, em meio a críticas de que seu governo não tem feito muito para ajudar, decidiu, em setembro passado,  receber nos EUA até 10.000 refugiados sírios em 2016.

Obama, juntamente com o apoio de funcionários de alto escalão do Governo, defenderam o programa de admissão de refugiados sírios no dia 17 de novembro. Este programa terá duração até setembro de 2016 e oferece aos legítimos refugiados o direito de ir e vir dentro do território estadunidense, o que gerou medo para alguns dos Estados norte-americanos, como, por exemplo, o Texas. 

Amparando-se na Constituição dos EUA, onde diz que cada Estado de seu território pode fazer algumas variações legislativas, o Governador do Texas, Greg Abbott, determinou no dia 30 de novembro (2015) que não será permitida a entrada de refugiados sírios no território texano. Seu argumento embasou-se na ideia de haver pessoas mal-intencionadas que poderiam aproveitar-se do programa para adentrar em seu território. Governadores de outros Estados, influenciados por Abbott e pelo medo de uma situação semelhante ao do dia 13 de novembro, em Paris, também vetaram a entrada dos refugiados, acreditando que “qualquer” um deles poderia vir a ser uma ameaça.

Mesmo que o poder Executivo, do presidente Obama, afirme que o não cumprimento do programa viria a ser uma violação das leis federais, Greg Abbott e os governadores de outros Estados alegaram que possuem o direito de vetar a realocação dos refugiados sírios. Dado isso, o Governo do Texas declarou que entrará com medidas judiciais, além de rescindir contratos com as organizações responsáveis pela realocação dos refugiados que não cooperarem com a ordem determinada pelo governador Greg Abbott. Uma das organizações inseridas no programa chama-se International Rescue Commitee (1933).

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http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2015-12-01-Texas-ameaca-processar-quem-ajude-refugiados-da-Siria

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Republicanos pressionam Governo dos EUA para não receber refugiados

Após os ataques na França, na última sexta-feira, dia 13 de novembro de 2015, vários candidatos do Partido Republicano, em campanha presidencial pelos Estados Unidos da América (EUA), defenderam que se interrompa o acolhimento de refugiados provenientes da Síria, por medo de que membros do grupo Estado Islâmico (EI) estejam infiltrados entre eles. Além disso, ao longo da presente semana, cerca de 50 Estados dos EUA anunciaram que bloquearão ou cessarão o programa de acolhimento, até que seja feita uma revisão minuciosa dele.

Essas declarações se intensificaram, particularmente, após notícias apontarem que um passaporte sírio foi encontrado no local junto ao corpo de um dos terroristas. O documento pertenceria a uma pessoa que teria entrado na Europa por meio da Grécia, como refugiado. No entanto, conforme ressaltaram diversos analistas, há possibilidades de esse passaporte ser falso, ou comprado, e que teria sido utilizado justamente para que os países não recebam mais refugiados[1]. Cabe destacar que, desde que se iniciou a guerra na Síria, em 2011, o conflito deixou mais de 240 mil mortos, cerca de 7,6 milhões de deslocados internos e mais de 4 milhões de refugiados, que tem buscado refúgio, sobretudo nos países vizinhos[2].

De acordo com estimativas, entre setembro de 2014 e setembro de 2015, chegaram aos EUA cerca de 1,3 mil refugiados sírios.  Ao longo deste ano (2015), o Governo estadunidense foi cobrado por países e Organizações NãoGovernamentais (ONGs) a adotar e coordenar maiores ações na crise migratória na Europa. Alguns analistas pontuavam naquele momento que os EUA não poderiam ver a crise migratória como um problema europeu, particularmente por que o Governo estadunidense e seus aliados têm a responsabilidade com os refugiados sírios, haja vista que eles estão armando os rebeldes sírios e lutando contra o Estado islâmico no país[3]. Assim, no início de setembro, a Casa Branca anunciou que adotaria medidas adicionais para receber em torno de 10 mil refugiados até 2016, além de aumentar os fundos para alojamento e alimentação, que, até então, eram de 4 bilhões de dólares[4]. Porém, essas medidas deveriam passar pela aprovação do Congresso dos EUA, que conta com maioria republicana e vê com ressalva a entrada dos refugiados sírios no país.

Desse modo, alegando preocupações com a segurança da população estadunidense, alguns estados posicionaram-se contra o acolhimento de refugiados, como Alabama, Arizona, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Georgia, Idaho, Ilinois, Indiana, Kansas, Luisiana, Maine, Massachusettes, Michigan, Mississipi, Nebraska, Ohio, Oklahoma, Tennesse, Texas, Wisconsin, entre outros. Nesse sentido, Rick Snyder, Governador do Michigan, que recebeu cerca de 200 refugiados sírios, declarou que o acolhimento de novos refugiados estava suspenso até que ocorra uma revisão completa do atual programa. Já Robert Bentley, Governador do Alabama, Estado que não recebeu nenhum refugiado, afirmou que não irá expor sua população a qualquer risco. Phil Bryant, Governador do Mississipi, foi ainda mais enfático ao declarar que fará todo o possível para interromper qualquer plano da Casa Branca em destinar refugiados sírios ao Mississipi. No entanto, segundo um PortaVoz do Departamento de Estado, ainda não estão claras que essas medidas para suspender o acolhimento dos refugiados são realmente legais[5] .

Destarte, como mencionado anteriormente, vários pré-candidatos republicanos a Presidência também se posicionaram contra o recebimento de refugiados.  O pré-candidato Bem Carson, por exemplo, afirmou que deixar pessoas dessa região do mundo chegar aos Estados Unidos é um enorme erro. Já Jeb Bush declarou que deveria se concentrar esforços nos cristãos que são massacrados na Síria. Por sua vez, Marco Rubio afirmou que não há meios de se verificar antecedentes de pessoas que venham da Síria[6].

Em contrapartida, grupos humanitários e ONGs que trabalham em apoio aos refugiados sírios chamam atenção para o aumento das questões sectárias em virtude desse tipo de discurso. Nesse aspecto, Michael Mitchell, do Serviço Luterano de Imigrantes e Refugiados nos EUA, pontua que é preciso levar em consideração que esses refugiados estão justamente fugindo da perseguição que sofrem no seu país[7]. Em setembro deste ano, James Zogby, Presidente do Instituto Árabe Americano, ressalvou que esse tipo de declaração, no caso, como as feitas pelos pré-candidatos presidências e governadores, traz à tona a visão de que sírios e iraquianos são terroristas e ainda acentua a islamofobia[8].

Em crítica às declarações dos pré-candidatos, Barack Obama, Presidente estadunidense, afirmou, durante reunião do G20, na Turquia, que os Estados Unidos tinham o dever moral de acolher os refugiados, assim como os países europeus[9]. Na última segunda-feira, dia 16, Ban Kimoon, SecretárioGeral da Organização das Nações Unidas (ONU), também chamou a atenção para o aumento das tensões. De acordo com o Secretário, a maior crise de deslocamento forçado desde a Segunda Guerra Mundial tem provocado ódio e preconceito contra os refugiados, e que é necessário a promoção da tolerância através do investimento dos Estados, para que essas pessoas possam ser integradas na sociedade e desfrutar de oportunidades[10].

Logo, os ataques em Paris fragilizam ainda mais a situação dos refugiados, que fogem do seu país em razão da guerra e que não encontram muitas vezes nos países que os recebem a acolhida necessária para sua inclusão. Por fim, vale ressaltar a declaração de Irina Bokova, DiretoraGeral da UNESCO, na qual assinalou que “quando seres humanos sofrem perseguição, exclusão ou discriminação com base nas suas religiões ou origens; quando crises econômicas acentuam divisões sociais e dificultam a aceitação de outros, como minorias, estrangeiros e refugiados; nós temos que oferecer um discurso diferente, uma mensagem aberta que apela por tolerância[11].

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Imagem (Fonte):

http://nacoesunidas.org/migrantes-e-refugiados-nao-sao-meras-vitimas-que-precisam-de-caridade-afirma-vice-chefe-da-onu/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.com/pt/o-que-se-sabe-sobre-os-terroristas-at%C3%A9-agora/a-18852493

[2] Ver:

https://ceiri.news/eua-sao-cobrados-por-uma-maior-atuacao-na-crise-migratoria-europeia/

[3] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/09/07/us-europe-migrants-usa-idUSKCN0R60SE20150907

[4] Ver:

https://ceiri.news/eua-sao-cobrados-por-uma-maior-atuacao-na-crise-migratoria-europeia/

[5] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3320391/Alabama-Michigan-governors-start-refusing-Syrian-refugees-wake-French-terror-attacks-Bobby-Jindal-hints-Louisiana-same.html

[6] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/11/17/us/politics/gop-governors-vow-to-close-doors-to-syrian-refugees.html

[7] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151116_paris_refugiados_sirios_eua_rm

[8] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0R727F20150907?pageNumber=1&virtualBrandChannel=0

[9] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/11/17/us/politics/gop-governors-vow-to-close-doors-to-syrian-refugees.html

[10] Ver:

http://nacoesunidas.org/em-comemoracao-mundial-chefe-da-onu-alerta-para-o-recrudescimento-da-xenofobia-e-do-extremismo/

[11] Ver:

Idem.

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

População da Criméia vota pela anexação do território pela Rússia

Cidadãos da Criméia foram às urnas neste domingo, dia 16 de março, para tomar parte no Referendo que decide se a região irá se incorporar à Rússia. As opções dadas na cédula de voto eram: “Você apoia que a Crimeia se junte à “Federação Russa”?” e “Você apoia a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e que o status da Criméia seja de uma parte da ‘Ucrânia’?[1]. Os resultados parciais mostram que 95% dos votantes são favoráveis que o território da Criméia seja anexado pela Federação Russa”. Ainda que o resultado não seja o oficial, o número alto de votos favoráveis  já delineia o resultado da votação, o qual provocou respostas de líderes ucranianos e ocidentais que consideram o referendo ilegal[1].

Sergei Narishkin, líder do Congresso russo”, declarou que: “-Nós sabemos que por vinte e três anos após a formação da Ucrânia como Estado soberano, os habitantes da Crimeia esperavam por este momento[2] e o “Presidente da Rússia”, Vladmir Putin, disse que a votação foi conduzida de “acordo com a lei internacional e a Carta das Nações Unidas[2].

O “Primeiro-Ministro da Criméia”, Sergei Aksyonov, comemorou a vitória ainda pela manhã, antes da realização da votação, dizendo que “O referendo será realizado como o povo quer, e será inexorável e imperioso, a Criméia se tornará parte da Rússia![2]. Em diversos prédios governamentais, a bandeira azul e amarela da Ucrânia já foi trocada pela bandeira branca, azul e vermelha da Rússia[3].

Em nota oficial, a “Casa Branca” repudiou a votação, afirmando que “A comunidade internacional não vai reconhecer os resultados de um pleito realizado sob ameaças de violência. As ações russas são perigosas e desestabilizadoras[1]. O Presidente dos Estados Unidos”, Barack Obama, em telefonema com o presidente Putin, disse que os EUA, em conjunto com seus parceiros, estão preparados para utilizar sanções contra Moscou.

Obama reforçou o ponto de que as ações russas somente exacerbam as tensões na região e aposta em uma solução diplomática para o conflito, deixando claro que o secretário de estado John Kerry está preparado para negociar com sua contraparte russa, o ministro de relações exteriores Sergei Lavrov[5].

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Imagem (Fonte):

http://news.yahoo.com/crimeans-overwhelmingly-vote-secession-203613036.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.yahoo.com/crimeans-overwhelmingly-vote-secession-203613036.html

[2] Ver:

http://news.yahoo.com/crimeans-overwhelmingly-vote-secession-203613036.html

[3] Ver:

http://mashable.com/2014/03/16/under-the-gun-crimea-goes-to-the-polls-to-decide-its-future/

[4] Ver:

http://www.whitehouse.gov/the-press-office/2014/03/16/statement-press-secretary-ukraine

[5] Ver:

http://www.whitehouse.gov/the-press-office/2014/03/16/readout-president-s-call-president-putin

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Drones: o modo norte-americano de combater o terrorismo

Os “atentados de 11 de setembro de 2001” e a “Guerra ao terror”, iniciada por George W. Bush, “ex-presidente dos Estados Unidos da América (EUA)”, instituíram um novo marco nas relações internacionais, à medida que o tema segurança é reinserido na pauta da agenda internacional, que por sua vez promove uma verdadeira revolução no modo norte-americano de fazer a guerra.

Em resposta aos atentados terroristas, o governo estadunidense adotou uma série de medidas a fim de garantir a segurança do Estado. A questão da segurança nacional tomou grandes proporções, ao passo que nos últimos anos o orçamento dos 16 órgãos de serviço secreto dobrou, alcançando US$ 52,6 bilhões. Entre as medidas adotadas estão a vigilância secreta em alta escala e o investimento intenso no desenvolvimento de drones[1] – aeronaves não tripuladas – alvo de infindáveis críticas por parte dos Estados atingidos, dos organismos internacionais e da própria sociedade civil, por matar de forma indiscriminada terroristas e civis.

Os drones são o que há de mais moderno em “Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs)”, ou em inglês “Unmanned Aerial Vehicle” (UAV). As primeiras tentativas de operar um VANT ocorreram logo após a “Segunda Guerra Mundial”. No entanto, foi somente em 1973, durante a “Guerra Fria”, que a “Força Aérea” norte-americana confirmou a existência dessas aeronaves. Mais tarde, em 1994, as “Forças Armadas dos EUA” passaram a testar drones carregados com armas, com o desenvolvimento da aeronave Predador, porém, o governo dos “Estados Unidos” afirma que o primeiro avião não tripulado foi empregado em combate durante a invasão americana no Afeganistão, a partir de outubro de 2001[2]. Os drones são operados por pilotos a milhares de quilômetros de seus alvos, que são responsáveis pelos painéis de sensores e manutenção. O número de exato de operadores varia conforme aeronave, mas, para manter o “Drone Predador”, por exemplo, é necessária uma equipe de 168 pessoas. Entretanto, apesar da grande quantidade de pessoal e do alto custo dos sensores, os drones se revelam mais vantajosos do que os tradicionais aviões tripulados[3].

Recentemente, as organizações “Anistia Internacional” e a “Human Rights Watch” produziram um relatório, no qual denunciavam os “Estados Unidos” pelo uso regular de drones para fins militares. Além disso, acusavam os norte-americanos de violarem o direito internacional e, em alguns casos, cometerem crimes de guerra, através de seus ataques com drones no Paquistão[4]. Essas denúncias vêm acontecendo há algum tempo, sendo que no início de 2013 a “Organização das Nações Unidas (ONU) abriu inquérito para investigar pelo menos 25 ataques com drones no Paquistão, Iêmen, Somália e “territórios palestinos[5].O relatório, que foi divulgado nas últimas semanas pela “Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas”, assinala que o “número de civis mortos e feridos em ataques com aviões não tripulados norte-americanos em diversos países é muito mais elevado do que estimam dados oficiais dos EUA[6].

A falta de transparência, torna imprecisa o número de mortos desses países, no entanto, segundo diferentes avaliações, os 300 ataques de drones promovidos pelos “Estados Unidos desde 2004 mataram entre 2.000 e 4.700 pessoas em regiões rurais do Paquistão – incluindo centenas de civis[7]. As centenas de mortes de civis são compreendidas no contexto militar como “danos colaterais”, o que fez desse modo de processar a guerra ao terror uma eufemização da violência[8]. Apesar de nos últimos anos o número de ataques ter diminuído, ainda assim são responsáveis pela morte de diversos civis, que muitas vezes são confundidos com terroristas, ou encontram-se no local do ataque.

Logo, o uso bélico dos drones tem suscitado intenso debate sobre a moralidade da utilização dessas armas, por promover uma guerra assimétrica, pela de falta de transparência e por promover a disseminação dessa nova arma, que não é regulada pelo direito internacional e infere sobre os direitos humanos. Para Ben Emmerson, um dos “responsáveis pelo relatório produzido para ONU”, é “difícil dizer que esse tipo de armamento era essencialmente ilegal, pois o sistema estabelece que o piloto não esteja a bordo do avião[9]. Contudo, Emmerson aponta que “embora eles não sejam ilegais, eles levantam um desafio porque são comumente utilizados em segredo trazendo problemas de prestação de contas[10].

Frente às maciças criticas, a “Casa Branca” declarou que “as operações de contraterrorismo dos Estados Unidos são precisas, são legais e são eficazes[11]. Nesse sentido, Barack Obama, “presidente dos Estados Unidos”, declarou de forma tácita que “os terroristas que perseguimos matam civis. Estamos em guerra com organizações (Al-Qaeda e Taleban) que agora mesmo estariam matando o máximo de cidadãos norte-americanos que pudessem, se não os tivéssemos impedido antes[12].Esse posicionamento, emerge com os atentados terroristas, ao ponto de que a política de segurança tem dominado a forma de pensar e agir dos governos americanos[13], sobretudo no que tange à condução da política externa. 

O fato, no entanto, é que os drones caracterizam uma nova tecnologia, “que veio para ficar[14], uma vez que representa um novo cenário de possibilidades e avanços, não apenas para fins bélicos, mas também para os setores de comércio e serviços. Ainda assim, diversas questões se apresentam no que diz respeito à condução e a regulamentação dos VANTs pelos Estados, haja vista que “não existe um consenso na legislação dos países com relação aos princípios legais que são feridos por ações militares como essas[15].Ademais, os drones trazem consigo novas problemáticas que, como mencionado, dizem respeito ao marco regulatório e a mudança na forma de conduzir um conflito. Todavia, “por mais que as condições e características das guerras representem uma novidade, ainda se está lidando com questões de política e diplomacia[16].

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Imagem (Fonte):

http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2012/12/drones-morte-invisivel-e-por-controle.html  

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/doze-anos-depois-11-de-setembro-ainda-dita-pol%C3%ADtica-de-seguran%C3%A7a-dos-eua/a-17081417

[2] Ver:

http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/drones  

[3] Ver:

http://www.insightinteligencia.com.br/60/PDFs/pdf7.pdf

[4] Ver:

http://www.dw.de/anistia-acusa-eua-de-cometer-crimes-de-guerra-com-drones-no-paquist%C3%A3o/a-17175394  

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/01/130124_drones_un_lk_rn.shtml

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31969/eua+cometem+crime+de+guerra+por+ataques+com+drones+diz+anistia+internacional.shtml  

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1506  

[9] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32064/governo+dos+eua+defende+ataques+militares+com+avioes+nao+tripulados.shtml

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

http://pt.euronews.com/2013/10/23/eua-ataques-com-drones-sao-legais/l  

[12] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31969/eua+cometem+crime+de+guerra+por+ataques+com+drones+diz+anistia+internacional.shtml

[13] Ver:

http://www.dw.de/doze-anos-depois-11-de-setembro-ainda-dita-pol%C3%ADtica-de-seguran%C3%A7a-dos-eua/a-17081417  

[14] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32064/governo+dos+eua+defende+ataques+militares+com+avioes+nao+tripulados.shtml

[15] Ver:

Idem.

[16] Ver:

http://www.insightinteligencia.com.br/60/PDFs/pdf7.pdf

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EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente Putin adverte que o mundo não terá recuperação econômica rápida

Na semana passada (em 7 de outubro), o presidente russo Vladimir Putin, em um Fórum daCooperação Econômica da Ásia e do Pacífico” (APEC, na sigla em inglês), fez uma declaração na qual alegou que há pouca esperança de rápida recuperação da economia global. Também apontou que, embora a fase mais aguda da crise já tenha terminado, os problemas do atual modelo econômico são de natureza estrutural e, por isso, prolongados[1].

Putin alega que é necessário um novo modelo de desenvolvimento econômico para corrigir os desequilíbrios a longo prazo, para, assim, garantir o crescimento da economia de bens e serviços, a criação de empregos e as reformas estruturais. Ele afirmou que nas Cúpulas do G8 e do G20 (ocorridas no mês passado) esse tema foi debatido, mas, salientou, que apenas os líderes do G20 chegaram a um consenso sobre a necessidade de combinar estímulo econômico com as medidas de consolidação orçamental[2]

Segundo analistas, esse posicionamento naCúpula do G20é uma maneira expressa de dizer que a economia global precisa ser repensada para tirar dosEstados Unidosa responsabilidade por equilibrar o sistema

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Imagem Presidente russo Vladmir Putin na comitiva de imprensa do G20” (Fonte):

http://en.g20russia.ru/photo/20130906/782790401.html

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Fontes consultadas:

[1]  VerRIA NOVOSTI”:

http://en.ria.ru/world/20131007/183988902/No-Quick-Recovery-for-Global-Economy-Warns-Putin.html

[2] Ver REUTERS:

http://www.reuters.com/article/2013/09/06/g20-economy-russia-idUSL6N0H215P20130906

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