NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Guerra por Procuração na Síria

O mundo multipolar estabeleceu uma nova ordem geopolítica e geoeconômica, tendo recriado um conjunto de estratégias voltadas a interesses díspares entre as potências regionais e, também, globais. A ausência da partilha de valores, no mundo atual, converge para o distanciamento entre aqueles que se configuram como atores principais no cenário mundial e os que tentam construir uma ponte que os leve aos seus objetivos através de subterfúgios diversificados e dos escombros dos conflitos bélicos. Apesar de ser imperceptível ao Ocidente, isto está acontecendo na Guerra Civil da Síria através de uma “Guerra por Procuração” que se revela através da existência de inúmeros grupos insurgentes e de seus patrocinadores. A Síria e o Iraque tornaram-se os bastiões dos jihadistas que combatem em nome de uma causa que não é exclusiva dos revoltosos mas, também, dos Estados que vêm financiando estas organizações não estatais.

Na sequência dos 4 anos de guerra, a Síria e, por extensão, o Iraque, transformaram-se em ambientes férteis para a criação de incontáveis grupos insurgentes. Esta realidade tornou-se viável porque, em várias ocasiões, estão por detrás das fações radicais vários países que têm utilizado seu poderio econômico para ajudar a insurgência armada em causa própria. Os recursos, discretamente repassados aos insurretos, dão fôlego a uma guerra que, inicialmente, era local e, hoje, parece dar as coordenadas para uma nova configuração geoestratégica e geopolítica no Oriente Médio. O poder dos bastidores tem traçado as diretrizes para o redimensionamento do conflito armado a partir de uma guerra feita por procuração distribuída entre as inúmeras fações rebeldes que lutam contra o regime de Bashar al-Assad e entre si. Juntos, os combatentes totalizam 100.000 homens, incluindo os muçulmanos estrangeiros. Neste contexto, as divergências não são apenas entre sunitas e xiitas, mas também entre os próprios sunitas. A sunita Frente al-Nusra (Frente de Apoio ao Povo de al-Shâm pelos Mujâhidîn de al-Shâm nos Campos da Jihâd), que está coligada com o Ahrar alSham (Movimento Islâmico dos Homens Livres do Levante) e a Ajnad alSham (União Islâmica dos Soldados do Levante) e que, juntas, formaram a aliança Jund al-Malahim (Soldados dos Épicos), se opõem a al-Assad e à Rússia, mas também ao Estado Islâmico, igualmente sunita. Este é o resultado de uma guerra singular, na qual a proliferação de pequenos grupos e de coligações corresponde aos “anseios e visões de seus financiadores[1].

A coalizão ocidental, liderada pelos EUA, tem sido um suporte financeiro importante para o Exército Livre da Síria mas, ao longo de 2015, foram os países do Golfo Pérsico, nomeadamente a Arábia Saudita e o Qatar, que impulsionaram os rebeldes em termos de recursos financeiros e de armamentos. Desde o início da intervenção russa na Guerra Civil síria, o fornecimento de armas, incluindo mísseis antitanque oriundos do Golfo Pérsico, aumentou substancialmente. Por outro lado, o grau de aceitação do Exército Livre da Síria tem aumentado de maneira significativa, não apenas entre os civis sírios que se opõem ao regime de al-Assad, mas também entre os outros grupos rebeldes. Tornou-se comum os jihadistas migrarem para os grupos melhor organizados e mais eficientes[2]. A dinâmica da guerra por procuração, na Síria e no Iraque, determina os embates, cujos objetivos visam atender a demanda do financiador enquanto força que impulsiona economicamente o conflito e causa cada vez mais refugiados e deslocados em sociedades praticamente destruídas.

A diplomacia paralela, na Guerra Civil síria, funciona de modo praticamente invisível entre alguns Estados e os grupos insurgentes. O dinheiro que estes grupos recebem quase sempre é transferido através de transações aparentemente lícitas, isto é, ele é efetuado por meio do pagamento de resgates de pessoas sequestradas pelos jihadistas. Isto explica, por exemplo, o êxito do Estado Islâmico. Segundo Loretta Napoleoni, especialista em terrorismo e lavagem de dinheiro, “na maioria dos casos, os patrocinadores envolvidos nesse negócio abominável usam o dinheiro do pagamento de resgates para ocultar seu patrocínio. Parece o caso dos 20 milhões de Dólares de resgate que o Qatar pagou à al-Nusra para libertar quarenta e cinco soldados das Nações Unidas […], que tinham sido sequestrados nas Colinas de Golã[3]. Esta é uma questão que o Ocidente, ou não percebeu, ou ainda não quis ver. O fato de os EUA e a Grã-Bretanha se recusarem a pagar resgates, ao contrário de outros países que negociam com os sequestradores, não significa que as potências ocidentais estejam determinando as regras do jogo mas, pelo contrário, apenas revela a frustração das sociedades ocidentais, enquanto que os insurgentes, à semelhança do Estado Islâmico, já identificaram as peculiaridades do Ocidente, as suas falhas, as fragilidades no campo da segurança e as hipóteses de vitória ante o inimigo militarmente mais poderoso. Deste modo, os fundamentalistas conseguiram antever as consequências da guerra por procuração, travada na Síria e no Iraque, bem como o retorno dos efeitos aos seus financiadores, que culminará no enfraquecimento dos próprios Estados patrocinadores.

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Imagem Combatentes do Exército Livre da Síria verificam as armas numa casa situada na fronteira sírio-libanesa, algures perto de Wadi Khlaed,antes de uma operação noturna” (Fonte):

http://www.si-mitchell.co.uk/wp-content/uploads/2012/10/IMG_2111.jpg

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Fontes Bibliográficas:

[1] Ver:

LORETTA NAPOLEONI,  A Fênix Islamista: O Estado Islâmico e a Reconfiguração do Oriente Médio, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2015, trad. do inglês por Milton Chaves de Almeida, pág. 50.

[2] Ver:

Ibidem.

[3] Ver:

Id., ib., pág. 52-53.

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

ANÁLISE EXTRA - O Hezbollah adverte Israel para as consequências de um ataque às suas Bases

Um ataque da “Força Aérea Israelense”, em 24 de fevereiro, contra uma posição do Hezbollah (“Partido de Deus”), no leste do Líbano, perto da fronteira com a Síria, levantou a hipótese de mais um confronto armado na região. Embora tenha sido noticiada a morte de quatro pessoas, inclusive a de um comandante do Hezbollah, o partido xiita negou a existência de mortes, mas prometeu vingança[1].  De acordo com as declarações do Grupo, o ataque, que causou danos materiais, não registrou vítimas, o que contraria a versão da imprensa árabe, que noticiou a existência de vítimas e, também, a destruição de posições de artilharia e de rockets do partido islamita radical. O Hezbollah prometeu retaliar contra Israel e declarou, à “TV al-Manar”, que “a nova agressão é uma agressão flagrante contra o Líbano, a sua soberania e o seu território. A Resistência [Hezbollah] vai escolher a hora, o local e a maneira correta de responder a isso[2].

A frágil fronteira é frequentemente utilizada para o transporte ilegal de armas e de pessoas para a Síria. Segundo o jornal Ha’aretz, o suposto ataque de Israel contra as bases do Hezbollah dá ao partido xiita a legitimidade para atacar Israel sem ser acusado de ter começado uma guerra, pois o ataque do país vizinho remeteria ao direito de defesa[3]. De acordo com a imprensa local, os israelenses elevaram o nível de alerta na fronteira e enviaram uma mensagem ao Governo libanês ressaltando que este será responsabilizado por uma possível retaliação por parte do Hezbollah [4]. O “Ministro das Relações Exteriores do Líbano”, Gebran Bassil, pediu ao “Embaixador libanês na ONU”, Nawwaf Salam, para apresentar queixa contra Israel por dois supostos ataques aéreos. Segundo Bassil, foi violada a “Resolução 1701 da ONU”, de 2006, relativa ao cessar-fogo entre os dois países[5].

A situação tende a tornar-se complexa para o novo “Governo do Líbano”. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou que o ataque israelense não foi apenas dirigido contra as bases da organização, mas foi, antes, um ataque contra o território libanês[6]. Isto pressupõe que a organização esteja tentando forçar o Estado a responder ao ocorrido, embora alguns Ministros considerem que o ataque israelense teve, como objetivo exclusivo, o Hezbollah.

De acordo com a imprensa da região, apesar de estar combatendo na Síria, o Hezbollah não perdeu a capacidade militar para responder a Israel. Porém, neste momento, a estratégia relacionada com a “Guerra Civil na Síria” tem determinado os passos da organização xiita[7]. No desenvolvimento do conflito sírio, Israel é apontado, pelos porta-vozes dos rebeldes, como um colaborador militar dos combatentes anti-Bashar al-Assad. No entanto, os israelenses tem negado tais declarações, afirmando que o país tem contribuído apenas com ajuda humanitária, ao oferecer aos rebeldes médicos para tratar os feridos e alimentos em quantidade limitada.

Fontes jordanianas, em contrapartida, afirmam que Israel recebe as informações sobre a coordenação entre os EUA e a Jordânia acerca do treinamento de oficiais e soldados do “Exército Livre da Síria”.  A incerteza sobre a estratégia israelense com relação à “Guerra na Síria” tem evitado que os vários grupos islâmicos radicais abram uma frente de combate contra este país. No momento, atacar Israel permitiria o avanço das suas operações militares na Síria, mas também levaria ao comprometimento do transporte de mísseis por parte dos apoiadores de Assad e a uma possível destruição das bases do Hezbollah [8].

Um certo afastamento da “Guerra na Síria”, mantido por Israel, faz parte de um equilíbrio frágil que envolve esse ator nesta questão, o qual pode se romper a qualquer momento. Um desentendimento de maior dimensão entre Israel e o Hezbollah ampliará o conflito, determinando uma nova dinâmica e uma nova estratégia militar na região. Além disso, um embate entre um Estado e uma força militar não estatal, como é o Hezbollah, poderá arrastar o Líbano para o conflito, independentemente da sua disposição. Se tal ocorrer, o Líbano será forçado a tomar uma posição ativa em defesa de seus cidadãos e de seu território, o que implicará um conflito que não ficará restrito ao Hezbollah.

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Imagem Bandeira do Hezbollah” (Fonte):

http://wiki.islamiccounterterrorism.org/images/hezbollah/hezbollah_flags/hezbollah_flag-1200px-001.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4493653,00.html

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.576489

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[4] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4493653,00.html

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[6] ver:

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304071004579406853547002762?mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424052702304071004579406853547002762.html

[7] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[8] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conferência sobre resolução da crise na Síria a ser realizada em Genebra continua sem da marcada

A atual guerra civil na Síria teve início com revoltas pacíficas contra o governo em março de 2001. Com mais de dois anos e meio de duração, o conflito já resultou em um número superior a 100 mil mortos. Em maio de 2013, surgiu pela primeira vez a ideia de uma reunião em Genebra para se chegar a alguma resolução diplomática e, em setembro, o “Secretário Geral das Nações Unidas”, Ban Ki-moon, anunciou uma data provisória para a realização da conferência em questão, que deveria acontecer em meados do atual mês de novembro.

 

Esta semana, o enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, declarou que a data para o encontro planejado em Genebra terá que ser adiada. Seu anúncio foi feito após um dia de reuniões com diplomatas. Uma das principais questões que funciona como um obstáculo para a realização do evento é a recusa da oposição a respeito da presença do atual presidente sírio, Bashar al-Assad, ou de algum de seus representantes. Assad, por sua vez, afirma que qualquer resolução para a Síria só pode ser atingida se a ajuda externa enviada a forças da oposição para armamentos for finalizada[1].

 

Brahimi discutiu a situação da Síria nesta última terça-feira em Genebra, encontrando-se com enviados dos “Estados Unidos” (EUA) e Rússia, além dos outros três membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, Grã-Bretanha, França e China. As conversações diplomáticas também envolveram os países vizinhos à Síria – Turquia, Irã, Jordânia e Iraque. No encontro, ainda, oficiais do “Comitê Internacional da Cruz Vermelha” e de agências de ajuda humanitária da ONU chamaram a atenção para a gravíssima situação social da população síria, que enfrenta problemas de saúde, pobreza e fome, além do alto índice de mortos e refugiados[2].

 

 

thierry Ehrmann : No Legend by Abode of Chaos N°59thierry Ehrmann : No Legend by Abode of Chaos N°59

thierry Ehrmann : No Legend by Abode of Chaos N°59 (Photo credit: Abode of Chaos)

Dentre os desentendimentos acerca do acerto de uma data para a conferência em prol da resolução do conflito, agora também encontra-se a possível participação do Irã. Sergei Lavrov, “Ministro das Relações Exteriores da Rússia”, reiterou que todos os atores que influenciam a situação devem estar presentes, inclusive o Irã, e não somente os países árabes. Ahmad Jarba, presidente da Coalizão Nacional Síria – principal grupo da oposição ao governo de Assad – declarou que a organização se recusa a estar presente caso o governo iraniano faça parte da conferência[3].

A forte influência da Rússia e do Irã no cenário político da Síria tem sido caso de discussão internacional nos últimos meses, bem como o apoio fornecido por estes países ao governo de Bashar al-Assad. Sergei criticou fortemente a posição de Jarba e afirmou que não devem haver pré-condições para a realização de “Genebra 2”.

 

Lakhdar Brahimi falou que o adiamento da data prevista já era de se esperar, porém o “Secretário Geral da ONU” encontra-se impaciente pela realização do encontro. A situação no país continua a piorar altamente para a população local. Atualmente, cerca de 6 mil pessoas deixam o país todos os dias.

 

A “Subsecretária-Geral para Assuntos Humanitários e Coordenadora de Ajuda Humanitária das Nações Unidas”, Valerie Amos, declarou aoConselho de Segurançaque a crise na Síria continua a se deteriorar rápida e inexoravelmente”. No momento, aproximadamente 9,3 milhões de pessoas, cerca de 40% da população local, está necessitando de assistência internacional[4].

 

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Imagem (Fonte):

 

http://www.reuters.com/article/2013/08/28/us-syria-crisis-brahimi-idUSBRE97R0EW20130828

 

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Fontes consultadas:

 

[1] Ver:

 

http://www.un.org/sg/offthecuff/index.asp?nid=3162

 

[2] Ver:

 

http://www.un.org/sg/spokesperson/highlights/

 

[3] Ver:

 

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.556403

 

[4] Ver:

 

https://docs.unocha.org/sites/dms/Documents/25%20Oct%2013%20Valerie%20Amos%20Statement%20to%20Security%20Council%20on%20Syria.pdf

 

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ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Sinais de tensão no Líbano

Dois meses após a explosão de carros-bomba no Líbano, as “Forças de Segurança” daquele país desativaram, na última segunda-feira, 14 de outubro, mais um veículo armadilhado. O automóvel utilizado para a explosão estava estacionado no subúrbio ao Sul de Beirute, no bairro de al-Maamoura-al-Mreije, uma área considerada como reduto do grupo xiita Hezbollah[1]. A descoberta do carro-bomba, pelas “Forças de Segurança” libanesas aconteceu no início do feriado de Eid al-Adha, o segundo feriado mais importante do mundo muçulmano, que se comemora durante quatro dias e marca o fim da peregrinação a Meca, o quinto pilar do Islã[2].

Na verdade, os carros-bomba não constituem uma novidade no Líbano. Os meses de julho e agosto ficaram marcados por explosões desse tipo de artefatos em Beirute, deixando mortos e feridos. Em setembro, as “Forças Armadas” libanesas se movimentaram em direção ao local antes dominado pelo Hezbollah e passaram a controlar aquele território, mas essa ação não eliminou a possibilidade de existência de mais explosivos na capital do país.

Atualmente, as ameaças se desenvolvem no Líbano, em paralelo com as disputas religiosas e ideológicas, que conduzem à rivalidade, principalmente entre os sunitas e os xiitas. Elas intensificaram a rejeição mútua em decorrência da Guerra Civil síria. Enquanto os sunitas apoiam a oposição síria, os xiitas apoiam o governo de Bashar al-Assad e se juntaram às forças leais ao governo[3].

A união dos xiitas com o presidente sírio Bashar al-Assad, para derrotar militarmente a maioria sunita naquela guerra, tem gerado ressentimentos entre os sunitas libaneses[4]. Segundo informações, os últimos acontecimentos no Líbano são vistos como um sinal de tensão crescente entre grupos internos que vem se agravando com a Guerra Civilna Síria[5]. Isto altera o cotidiano da sociedade libanesa e ameaça a frágil estabilidade do país.

Se a tendência da violência através de carros armadilhados persistir, o Líbano enfrentará o agravamento das tensões entre os grupos oponentes e a desconfiança ganhará fôlego. As rivalidades internas, alimentadas pelo conflito vizinho, criam uma situação explosiva que afeta toda a sociedade. É fundamental, neste momento, a manutenção da tolerância possível entre os grupos rivais e a preocupação com a sociedade em geral, pois este é o meio de matar as tensões existentes e reduzir as possibilidades de conflitos internos, evitando, assim, uma maior influência, direta ou indireta, da “Guerra Civil” que se desenvolve no país vizinho.

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Imagem (Fonte):

http://i.dawn.com/large/2013/08/5217737548788.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/internacional/Bomba_e_achada_em_reduto_do_Hezbollah_no_Libano_na_vespera_de_feriado_muculmano.html?cid=37112644

[2] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

[3] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/10/1356593-carro-bomba-e-desativado-em-reduto-do-hizbullah-no-libano.shtml

[4] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Bomb-found-in-Lebanons-Hezbollah-stronghold-on-eve-of-Muslim-holiday-328741

           

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ÁFRICAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

“Parlamento Britânico” rejeita intervenção armada na Síria

Na última terça-feira (dia 27 de agosto de 2013), a “Câmara Baixa do Parlamento do Reino Unido”, a House of Commons”, rejeitou a proposta do primeiro-ministro David Cameron em iniciar uma ação militar na Síria, em resposta às alegações do uso de armas químicas por grupos ligados ao governo de Bashar al-Assad.

A operação militar proposta por Cameron fora barrada pelos parlamentares da oposição e por parte da base coligada do governo[1], no caso, trinta membros do “Partido Conservador” (do atual Primeiro-Ministro, que encabeça a coligação) e nove do “Partido Liberal” (que compõe a base do governo) rejeitando o pedido de ação militar. Na história moderna da instituição, tal ação caracteriza a primeira recusa do Parlamento britânico em aprovar um ato militar.

Em entrevista concedida ao jornal alemão “Deutsche Welle”, o parlamentar John Baron, do Partido Conservador”, declarou os motivos pelos quais ele, e alguns de seus colegas, votaram contra a proposta de Cameron. De acordo com Baron, “há uma série de questões que permanecem sem resposta, principalmente no que diz respeito às provas e legitimidade [da ação militar], no que diz respeito a agir sem uma resolução da [Organização das Nações Unidas] ONU, mas também perguntas para fazer com objetivos militares. Ao intervir militarmente, poderíamos aumentar a violência e, portanto, o sofrimento dessa terrível guerra civil, para além das fronteiras da Síria[2].

A possibilidade de o “Reino Unido” de se engajar em uma ação militar prolongada puramente punitiva, sem objetivos à longo prazo claros e, principalmente, sem uma estratégia definida[1] – bem como sem o aval do “Conselho de Segurança da ONU” – fora o maior obstáculo encontrado pela proposta de Cameron.

William Hague, “Ministro de Relações Exteriores do Reino Unido”, anunciou que, após a recusa do Parlamento,  a ação britânica na Síria irá se restringir a um apoio diplomático[3].

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ImagemPalácio de Westminster, sede do Parlamento do Reino Unido”  (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/Palace_of_Westminster,_London_-_Feb_2007.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/uks-no-vote-on-syria-harms-ties-to-us/a-17056650

[2] Ver:

http://www.dw.de/this-is-why-we-have-a-parliament/a-17055813

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/sep/01/george-osborne-syria-strikes

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ÁSIANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Síria afirma que ataque por parte dos EUA resultará na destruição de Israel

Na noite da última quarta-feira, dia 28, o chefe da Guarda Revolucionária do Irã”, Mohammad Ali Jafari,  afirmou que se os Estados Unidos” (EUA) atacarem a Síria, o Estado de Israel será destruído. Declarou: “Um ataque à Síria significará a destruição iminente de Israel[1]. Em sua declaração para uma agência de notícias iraniana – Tasnim – alegou, ainda, que a ocasião representaria um segundo Vietnã para os EUA e a Síria se tornará um campo de batalha mais perigoso e sangrento. 

Após aproximadamente dois anos e meio de guerra civil, no dia 21 de agosto deste ano (2013), houve a suspeita de utilização de armas químicas nas proximidades de Damasco, o que resultou na morte de centenas de pessoas e mobilizou a opinião pública mundial. O Irã acusa as forças de oposição pelos ataques. As forças opositoras, por sua vez, acusam o governo sírio. Os EUA e outros países ocidentais também acusam o presidente Bashar al-Assad pela utilização das armas químicas e, no momento, se preparam para uma possível intervenção no país.

Ao longo da última quinta-feira, dia 29, a entrevista de Mohammad Ali Jafari foi bastante divulgada pela mídia iraniana. Em decorrência da situação, o governo de Israel abriu centros de distribuição de máscaras de gás em cidades do norte, frente ao possível confronto. A procura é grande e o prefeito de “Kiryat Shmona” – uma das cidades em questão – pediu fortemente que o Exército e o Governo abram mais centros[2].

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não afirmou que os ataques são certos e não há um objetivo específico para o cenário posterior a possível intervenção. Para completar a situação, as tensões internacionais se tornaram bastante complicadas. Além do Irã, a Rússia também defende o governo de Assad e, segundo a agência de notícias Interfax, ontem, quinta-feira, dia 29, enviou dois navios de guerra ao “Mediterrâneo Oriental”. Em comunicado, a Marinha russa alegou ser uma rotatividade planejada, sem qualquer envolvimento com a situação na Síria[3].

O “Reino Unido” declarou, também nesse dia, que qualquer ação militar em território sírio seria em prol dos direitos humanos de seus cidadãos e poderá vir a intervir sem o apoio dos EUA[4]. Em resposta, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, alegou que o Governo do país irá se defender de qualquer agressão internacional[5].

O “Secretário Geral das Nações Unidas”, Ban Ki-moon, pediu paciência e reafirmou que receberá um relatório dos inspetores que investigam a utilização de armas químicas no próximo sábado. Também o papa Francisco se reuniu em Roma com o rei Abdullah, da Jordânia. Ambos concordaram que a única opção para o problema é o diálogo[6]. O Governante da Jordânia deixou claro que não tem interesse de envolver seu país em um possível conflito internacional.

A forte mobilização mundial em relação a Síria só tomou tamanha proporção e apresentou planos de intervenção nas últimas semanas, após os ataques no dia 21 de agosto em que supostamente foram utilizadas armas químicas. De acordo com as informações disseminadas pela mídia internacional, antes desta ocasião, nos últimos dois anos e meio foram mortos mais de 70 mil pessoas da população civil.

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ImagemIntervenção na Síria pode gerar conflito internacional” (Fonte):

http://www.in-debate.com/wp-content/uploads/2012/03/Syria-w.png

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Iran-commander-US-strike-on-Syria-will-mean-the-imminent-destruction-of-Israel-324680

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/national/.premium-1.544241

[3] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE97S00W20130829

[4] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/uk-politics-23883427

[5] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/08/2013829114759697581.html

[6] Ver:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE97S01V20130829

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