AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Os novos limites na relação Cuba-EUA

O histórico aperto de mãos entre o presidente estadunidense Barack Obama e seu homônimo cubano, Raul Castro, no funeral de Nelson Mandela, em 2013, permitiu para aquela administração norte-americana iniciar um novo desenho da política externa dos EUA para Cuba, em detrimento da estratégia política, econômica e ideológica que isolou a ilha caribenha por mais de cinco décadas.

As pesquisas de opinião desenvolvidas pela Pew Research Center comprovaram ao longo do processo de aproximação EUA-Cuba que o apoio social dentro dos EUA conseguiu superar a visão polarizada que regia os termos da relação entre os dois países.

Para 63% dos estadunidenses entrevistados, a administração Obama tomou a decisão acertada, ao se reaproximar de Havana. Outros 66% acreditam que é necessário ir além e promover o fim do embargo comercial à ilha.

Presidente Obama e Raul Castro, no histórico aperto de mão no funeral do sul-africano Nelson Mandela

No entanto, há um grande ceticismo público de que o descongelamento nas relações levará a uma maior democracia em Cuba. Apenas 32% dizem acreditar na possibilidade de o país se tornar mais democrático, enquanto 60% afirmaram que a nova cooperação não surtirá efeito prático no âmbito do sistema político cubano.

No curso da retomada diplomática, outras pesquisas apontaram que o apoio maior vinha de democratas e independentes, 74% e 67%, respectivamente, com níveis similares de apoio para acabar com o embargo comercial. Em complemento, a restauração dos laços diplomáticos com o fim do embargo comercial era amplamente desejada.

Utilizando de recorte feito por meio de grupos demográficos, 62% dos brancos, 64% dos negros e 65% dos hispânicos aprovavam o restabelecimento do diálogo Havana-Washington, fator que fora seguido também por um apoio global, em especial na América Latina, mas também amplamente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que, em 2016, aprovou a vigésima quinta resolução, com 191 países membros condenando o embargo estadunidense.

Com a subida de Donald J. Trump ao posto de comandante-em-chefe norte-americano, o posicionamento da Casa Branca tomou outro rumo. Para o Presidente, as ações executivas liberalizantes de Obama culminariam em mais repressão e, para tanto, determinou que o Dept. do Tesouro e Comércio (U.S. Treasury and Commerce Departments) implementasse novas regulamentações, a citar: reinstalação da proibição de viagens individuais de cidadãos americanos a Cuba; a interrupção das transações econômicas envolvendo o conglomerado militar, Grupo de Administração Empresarial S.A (GAESA); além de confecção de relatórios regulares sobre o progresso dos direitos humanos na ilha; tal qual tratado no CEIRI NEWSPAPER.

Com o antigo cenário polarizado suprimindo o retorno de um diálogo progressivo, alguns líderes empresariais dos EUA e membros do Congresso criticaram a reversão político-diplomática, afirmando que ao isolar Cuba a situação econômica e política tende a sofrer um impacto negativo nos investimentos já realizados, em especial de empresas baseadas em território norte-americano, incluindo Google, Airbnb e Starwood Hotels & Resorts, que já iniciaram grandes investimentos na ilha.

Neste cenário de reversão e com uma administração Trump gozando de apoio nas duas casas legislativas no Capitólio, para analistas consultados, a probabilidade de queda do embargo comercial torna-se diminuta. A confirmar tal percepção, identifica-se que os legisladores republicanos na Casa dos Representantes e no Senado rotineiramente bloqueiam matérias que reverteriam o embargo.

Por outro lado, especialistas nas relações EUA-Cuba acreditam que a saída de Raul Castro em 2018 da Presidência poderá ser uma janela de oportunidade para o levantamento das restrições, além disso, o pedido formal feito por ele para eleições municipais, a ocorrerem outubro de 2017, é um indicativo de que o processo de substituição do líder cubano está em curso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Reabertura da Embaixada dos EUA em Havana, em 14 de agosto de 2015” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/20391583478/in/photolist-x4Wcku-wpJk4n-wpziHA-r32ucT-wpJk42-jVtmPT-x4WcmS-xmC1n8-xkwAnh-qgjNW4-wpJk1r-wpziCL-afGP1A-x51mwN-x4UASL-x51b7E-x51b7u-8ztGWy-wpziEQ-x51mvW-x4UATC-nkbW1m-9udt2o-BJ7zAZ-pAKjbQ-snyVL5-k6aEAc-yA6xDo-kAMnF2-587CLQ-s6odcj-s8wX9Q-bBiLHB-dDUzJK-adTZ5L-rpwa83-pHpXuV-RtH8ug-8yAPSE-6JeFqv-rRdKMv-rPTSYr-s8BFv4-6wN2Dc-7hChns-s8BTV4-a5UyJK-mcsGZm-s8C3VP-odnhwN

Imagem 2Presidente Obama e Raul Castro, no histórico aperto de mão no funeral do sul-africano Nelson Mandela” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/[email protected]/11312374396/in/photolist-ieCSMS-ioY53d-ieCWkd-ioYPAK-ieD5S1-ioY9Dj-ieCGFi-ioY8om-ioZ2UT-ieD4ns-ioYprU-ioYk3V-ijoXSr-ijoXB6-894vYo-ioYisR-e9XN2z-jfsVt6-jfrnYB-TkchMj-iqieaj-ioYqBF-ioYamG-ikLZgi-ieD4jS-iatNn1-ioYMb4-ijoXdR-ib2CCs-ioY5vt-ioY8y3-iatP4S-ifmGQ3-ioYJkz-ioYefm-ioY9me-ioZ4Jp-ioYkCH-ioY4Ln-iau6P2-ioXYAx-ioZ3v2-ib2DtA-iatNP3-ioY7Dg-ioY7WG-ioY19T-ioY8bE-ioYfaD-ioYMGK

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

[:pt]EUA e União Europeia denunciam a China na OMC devido a subsídios em matérias primas[:]

[:pt]

Os Estados Unidos e a União Europeia iniciaram contenciosos contra a China no âmbito do órgão de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), em julho deste ano (2016), alegando que o país vem aplicando restrições quantitativas à exportação de matérias primas, tais como pedidos de licenças prévias e quotas para exportação, procedimentos que não seguem as regras de adesão à OMC. Entre as matérias-primas mencionadas nos contenciosos encontram-se minerais e componentes de grande importância para as indústrias automobilística, química e eletrônica, tais como cobre, cobalto, grafite, magnésio, entre outros.

A China se tornou oficialmente membro da OMC em 11 de dezembro de 2001, sendo que nos seus quase 15 anos na Organização o país enfrentou três contenciosos depositados pela União Europeia, além de treze disputas com os Estados Unidos. Na prática, a Organização deve examinar os casos apresentados, determinando se as partes estão seguindo os compromissos assumidos, visando à harmonização dos procedimentos de comércio internacional no sentido de evitar ações unilaterais de protecionismo. 

Adicionalmente aos casos acima referidos, os Estados Unidos entraram com um processo de consulta contra a China no dia 14 de setembro deste ano (2016), no que diz respeito aos benefícios concedidos pela China a produtores agrícolas de milho, trigo e arroz. A partir desta data, os países terão um período de 60 dias para resolver a disputa entre si, se isto não acontecer, o reclamante pode abrir um contencioso através de um painel do órgão de solução de controvérsias da organização.

O momento destas disputadas é extremamente estratégico, pois, na ocasião de sua entrada na OMC, a China não foi considerada uma economia de mercado, situação que deve ser formalmente alterada em dezembro (2016). De forma extremamente simplificada, o fato da China não constituir uma economia de mercado perante a organização permite que outros países apliquem medidas de retaliação comercial com maior margem e liberdade de ação, devido ao fato de que se presume que as estatísticas do país não são confiáveis, além da assunção de que o Governo chinês atue diretamente para manipular os preços domésticos.

O controle centralizado dos preços possibilitaria à China certa margem de ação no mercado internacional, de modo a viabilizar a exportação da sobrecapacidade produtiva de suas indústrias de ferro e alumínio, um problema que vem sendo discutido desde o lançamento do Décimo Terceiro Plano Econômico Quinquenal, para o período de 2016-2020. Portanto, um dos requisitos para alcançar o status de economia de mercado perante a OMC seria a maior credibilidade no sistema de preços do país.

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Imagem (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/5/4124/4999622562_358b2b4d5f_b.jpg

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DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A base militar permanente dos EUA na Espanha

Na última sexta-feira, 29 de maio, os Governos da Espanha e dos Estados Unidos da América (EUA) anunciaram a assinatura de um Acordo, o qual permite que as Forças Armadas dos Estados Unidos utilizem de forma permanente a Base Militar de Morón de la Frontera, localizada em Andaluzia, na região sudoeste da Espanha, para acomodar a Special PurposeMarine AirGround Task Force Crisis Response. Desde a década de 1950, no contexto da Guerra Fria, a Espanha e os Estados Unidos congregam suas forças militares nessa Base para atuar em missões e crises.

O Conselho de Ministros da Espanha aprovou neste dia (29 de maio) uma Emenda que modifica o atual Acordo Bilateral firmado em 1988, que é renovado anualmente entre os dois países, a respeito do uso da Base Morón[1]. O novo acordo, que ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento da Espanha, possibilitaria o uso constante da Base de Morón de la Frontera pelas Forças NorteAmericanas. O Governo espanhol deseja ratificar o documento antes de sua dissolução, prevista para o segundo semestre. Ademais, ele prevê que o Governo norteamericano investirá cerca de US$ 29 milhões em infraestrutura na Base de Morón, o que por sua vez impulsionará a economia local[2].

Desse modo, os Estados Unidos devem estabelecer uma força de reação rápida no local a  fim de agir na África, Oriente Médio, e na própria Europa. Segundo afirmou Soraya Saenz de Santamaria, vicepresidente da Espanha, o acerto “torna permanente a implantação na base de Morón de uma força de 2.200 soldados e 500 civis, além de mais 26 aviões[3]. Assim, os EUA poderão alocar até 3.000 soldados na Base e o número de aeronaves passará de 14 para 40.

Os Estados Unidos criaram a Força Special PurposeMarine AirGround Task Force Crisis Response, em resposta ao ataque no Consulado de Benghazi na Líbia, ocorrido em 11 de setembro de 2012.

Essa Força tem como objetivo de suas missões a proteção das embaixadas, resgatar militares em perigo, evacuar civis ou intervir em conflitos e crises humanitárias[4]. Desde abril de 2014 os Estados Unidos possuem uma força de reação rápida na Base de Morón, que conta com aproximadamente 850 soldados e unidades de apoio, incluindo um destacamento aéreo com aviões de transporte MV22 Ospreys[5].

Alguns analistas pontuam que o acerto facilitará as ações do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM), uma das seis divisões de forças dos EUA espalhadas pelo mundo, uma vez que as práticas militares de contenção do vírus ebola no oeste do continente africano foram feitas com apoio da Base de Morón[6]. Além disso, cabe destacar que essa região é geoestratégica, pois possibilita o rápido acesso à Europa, África e também ao Oriente Médio.

Nessa ordem de ideias, tendo em vista as crises que assolam essas regiões, contar com a Base Militar de Morón de la Frontera permite a articulação rápida das Forças Armadas NorteAmericanas. Para Soraya Saenz de Santamaria, o Acordovisa contribuir para a estabilidade regional e segurança comum na África, Europa e Oriente Médio, mediante a implantação permanente de uma força de resposta à crise na base aérea para proteger os cidadãos e as instalações dos Estados Unidos na Espanha, bem como os Estados membros da Aliança do Atlântico Norte (OTAN)[7].

O Documento que seria assinado por John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos, durante a sua primeira visita a Espanha no último final de semana, teve que ser adiado, após o Secretário sofrer um acidente de bicicleta na França. No entanto, segundo fontes diplomáticas, ainda não foi decidido como será firmada a reforma do Acordo Bilateral[8].

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Imagem (Fonte):

http://www.greenguidespain.com/andalucia/2014/10/ebola-update-usa-requests-use-of-spanish-military-bases-in-fight-against-outbreak/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.thelocal.es/20150529/us-to-boost-military-presence-in-spain

[2] Ver:

http://sputniknews.com/europe/20150529/1022727484.html

[3] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/espanha-autoriza-base-permanente-dos-eua-para-responder-a-crise-africana-/41459620

[4] Ver:

Idem.

[5] Ver:

http://www.defensenews.com/story/defense/2015/05/29/official-spain-approves-permanent-us-base-for-africa-force/28149531/

[6] Ver:

http://rt.com/news/263421-spain-us-permanent-base/

[7] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/espanha-autoriza-base-permanente-dos-eua-para-responder-a-crise-africana-/41459620

[8] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/31/internacional/1433066256_356304.html

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Putin acusa o Ocidente de desestabilizar a Rússia

Após um hiato de um pouco mais de onze dias sem nenhuma forma de manifestação pública, o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, declarou que o Ocidente* estaria interferindo na política doméstica de seu país objetivando a criação de umaagitação internapara desestabilizar a sociedade russa.

Em seu primeiro discurso sobre a política externa da Rússia em mais de um mês, Putin afirmou ao seu serviço de inteligência, a FSB, que o Ocidenteestá usando de todo o seu arsenal de meios para a, assim chamada, dissuasão da Rússia: através de operações a partir de tentativas de isolamento político e por meio de pressão econômica, bem como uma grande escalada na guerra de informação e serviços especiais[1].

Para o presidente Putin, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está violando a paridade nuclear existente ao intensificar a construção de sua “infraestrutura” cada vez mais próxima às fronteiras russas, além da intensificação na proposta de criação de um escudo antimíssil na região.

Os recentes avanços da OTAN são consequências diretas do relatório final estabelecido na última cúpula da organização, em setembro de 2014[2], que estipulou a criação de uma força de resposta rápida contra qualquer agressão por parte da Rússia aos países da região báltica.

Ainda em sua fala, Putin afirmou que Forças Especiais à serviço do Ocidente estariam agindo em território russo, através de organizações não-governamentais, com a finalidade de “desacreditar a autoridade russa e desestabilizar a situação interna[1] do país. O Presidente enfatizou que o Serviço de Inteligência Russo está olhando atentamente para todas as organizações não-governamentais atuantes no país que possuem fontes de financiamento externo, para evitar qualquer intromissão do Ocidente na Rússia.

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* Vale ressaltar que o uso do termo Ocidente pela política externa russa está geralmente associado ao conjunto dos países europeus mais os Estados Unidos da América.

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cf/Vladimir_Putin-6.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://euobserver.com/foreign/128173

[2] Ver:

https://www.gov.uk/government/publications/nato-summit-2014-wales-summit-declaration/the-wales-declaration-on-the-transatlantic-bond

AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Drones: o modo norte-americano de combater o terrorismo

Os “atentados de 11 de setembro de 2001” e a “Guerra ao terror”, iniciada por George W. Bush, “ex-presidente dos Estados Unidos da América (EUA)”, instituíram um novo marco nas relações internacionais, à medida que o tema segurança é reinserido na pauta da agenda internacional, que por sua vez promove uma verdadeira revolução no modo norte-americano de fazer a guerra.

Em resposta aos atentados terroristas, o governo estadunidense adotou uma série de medidas a fim de garantir a segurança do Estado. A questão da segurança nacional tomou grandes proporções, ao passo que nos últimos anos o orçamento dos 16 órgãos de serviço secreto dobrou, alcançando US$ 52,6 bilhões. Entre as medidas adotadas estão a vigilância secreta em alta escala e o investimento intenso no desenvolvimento de drones[1] – aeronaves não tripuladas – alvo de infindáveis críticas por parte dos Estados atingidos, dos organismos internacionais e da própria sociedade civil, por matar de forma indiscriminada terroristas e civis.

Os drones são o que há de mais moderno em “Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs)”, ou em inglês “Unmanned Aerial Vehicle” (UAV). As primeiras tentativas de operar um VANT ocorreram logo após a “Segunda Guerra Mundial”. No entanto, foi somente em 1973, durante a “Guerra Fria”, que a “Força Aérea” norte-americana confirmou a existência dessas aeronaves. Mais tarde, em 1994, as “Forças Armadas dos EUA” passaram a testar drones carregados com armas, com o desenvolvimento da aeronave Predador, porém, o governo dos “Estados Unidos” afirma que o primeiro avião não tripulado foi empregado em combate durante a invasão americana no Afeganistão, a partir de outubro de 2001[2]. Os drones são operados por pilotos a milhares de quilômetros de seus alvos, que são responsáveis pelos painéis de sensores e manutenção. O número de exato de operadores varia conforme aeronave, mas, para manter o “Drone Predador”, por exemplo, é necessária uma equipe de 168 pessoas. Entretanto, apesar da grande quantidade de pessoal e do alto custo dos sensores, os drones se revelam mais vantajosos do que os tradicionais aviões tripulados[3].

Recentemente, as organizações “Anistia Internacional” e a “Human Rights Watch” produziram um relatório, no qual denunciavam os “Estados Unidos” pelo uso regular de drones para fins militares. Além disso, acusavam os norte-americanos de violarem o direito internacional e, em alguns casos, cometerem crimes de guerra, através de seus ataques com drones no Paquistão[4]. Essas denúncias vêm acontecendo há algum tempo, sendo que no início de 2013 a “Organização das Nações Unidas (ONU) abriu inquérito para investigar pelo menos 25 ataques com drones no Paquistão, Iêmen, Somália e “territórios palestinos[5].O relatório, que foi divulgado nas últimas semanas pela “Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas”, assinala que o “número de civis mortos e feridos em ataques com aviões não tripulados norte-americanos em diversos países é muito mais elevado do que estimam dados oficiais dos EUA[6].

A falta de transparência, torna imprecisa o número de mortos desses países, no entanto, segundo diferentes avaliações, os 300 ataques de drones promovidos pelos “Estados Unidos desde 2004 mataram entre 2.000 e 4.700 pessoas em regiões rurais do Paquistão – incluindo centenas de civis[7]. As centenas de mortes de civis são compreendidas no contexto militar como “danos colaterais”, o que fez desse modo de processar a guerra ao terror uma eufemização da violência[8]. Apesar de nos últimos anos o número de ataques ter diminuído, ainda assim são responsáveis pela morte de diversos civis, que muitas vezes são confundidos com terroristas, ou encontram-se no local do ataque.

Logo, o uso bélico dos drones tem suscitado intenso debate sobre a moralidade da utilização dessas armas, por promover uma guerra assimétrica, pela de falta de transparência e por promover a disseminação dessa nova arma, que não é regulada pelo direito internacional e infere sobre os direitos humanos. Para Ben Emmerson, um dos “responsáveis pelo relatório produzido para ONU”, é “difícil dizer que esse tipo de armamento era essencialmente ilegal, pois o sistema estabelece que o piloto não esteja a bordo do avião[9]. Contudo, Emmerson aponta que “embora eles não sejam ilegais, eles levantam um desafio porque são comumente utilizados em segredo trazendo problemas de prestação de contas[10].

Frente às maciças criticas, a “Casa Branca” declarou que “as operações de contraterrorismo dos Estados Unidos são precisas, são legais e são eficazes[11]. Nesse sentido, Barack Obama, “presidente dos Estados Unidos”, declarou de forma tácita que “os terroristas que perseguimos matam civis. Estamos em guerra com organizações (Al-Qaeda e Taleban) que agora mesmo estariam matando o máximo de cidadãos norte-americanos que pudessem, se não os tivéssemos impedido antes[12].Esse posicionamento, emerge com os atentados terroristas, ao ponto de que a política de segurança tem dominado a forma de pensar e agir dos governos americanos[13], sobretudo no que tange à condução da política externa. 

O fato, no entanto, é que os drones caracterizam uma nova tecnologia, “que veio para ficar[14], uma vez que representa um novo cenário de possibilidades e avanços, não apenas para fins bélicos, mas também para os setores de comércio e serviços. Ainda assim, diversas questões se apresentam no que diz respeito à condução e a regulamentação dos VANTs pelos Estados, haja vista que “não existe um consenso na legislação dos países com relação aos princípios legais que são feridos por ações militares como essas[15].Ademais, os drones trazem consigo novas problemáticas que, como mencionado, dizem respeito ao marco regulatório e a mudança na forma de conduzir um conflito. Todavia, “por mais que as condições e características das guerras representem uma novidade, ainda se está lidando com questões de política e diplomacia[16].

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Imagem (Fonte):

http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2012/12/drones-morte-invisivel-e-por-controle.html  

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.dw.de/doze-anos-depois-11-de-setembro-ainda-dita-pol%C3%ADtica-de-seguran%C3%A7a-dos-eua/a-17081417

[2] Ver:

http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/drones  

[3] Ver:

http://www.insightinteligencia.com.br/60/PDFs/pdf7.pdf

[4] Ver:

http://www.dw.de/anistia-acusa-eua-de-cometer-crimes-de-guerra-com-drones-no-paquist%C3%A3o/a-17175394  

[5] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2013/01/130124_drones_un_lk_rn.shtml

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31969/eua+cometem+crime+de+guerra+por+ataques+com+drones+diz+anistia+internacional.shtml  

[7] Ver:

Idem.

[8] Ver:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1506  

[9] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32064/governo+dos+eua+defende+ataques+militares+com+avioes+nao+tripulados.shtml

[10] Ver:

Idem.

[11] Ver:

http://pt.euronews.com/2013/10/23/eua-ataques-com-drones-sao-legais/l  

[12] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/31969/eua+cometem+crime+de+guerra+por+ataques+com+drones+diz+anistia+internacional.shtml

[13] Ver:

http://www.dw.de/doze-anos-depois-11-de-setembro-ainda-dita-pol%C3%ADtica-de-seguran%C3%A7a-dos-eua/a-17081417  

[14] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32064/governo+dos+eua+defende+ataques+militares+com+avioes+nao+tripulados.shtml

[15] Ver:

Idem.

[16] Ver:

http://www.insightinteligencia.com.br/60/PDFs/pdf7.pdf

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA interromperão ajuda militar e monetária ao Egito

Desde a segunda metade da década de 1970, a ajuda monetária norte-americana ao Egito tem sido uma das grandes bases da sua economia, que está enfraquecida desde janeiro de 2011, quando tiveram início as manifestações que culminaram na “Primavera Árabe Egípcia”.

A instabilidade política, que está levando à perda do apoio estadunidense, vem interferindo fortemente em várias setores da economia e isto será agravado com este anunciado possível cancelamento de aportes do “Estados Unidos” (EUA), já que eles colaboram economicamente com Egito em diversas áreas, desde a militar até a educativa. Além disso a instabilidade política está afetando outro grande pilar da renda egípcia, o turismo, pois o número de turistas continua a cair com o aumento da violência entre o governo militar e seus opositores.

Foi nesta última quarta-feira que o Governo norte-americano divulgou que irá reter a assistência militar em sistemas de grande escala, bem como parte do auxílio monetário que é fornecido. O anúncio ocorreu após mais um embate entre as “Forças Armadas” egípcias e opositores islamitas no domingo, que deixou mais de 55 pessoas mortas.

Dentre os equipamentos militares que deixarão de ser enviados estão helicópteros Apache, mísseis Harpoon e peças de tanques. O governo de Barack Obama também pretende interromper a transferência de 260 milhões de dólares em dinheiro e uma garantia de empréstimo no valor de 300 milhões de dólares[1].

O Departamento de Estado norte-americano afirmou que irá continuar a fornecer suporte na saúde, na educação e para atividades contraterroristas na Península do Sinai”. Segundo a porta-voz Jen Psaki, o “Estados Unidos” Irão continuar a reter a ajuda que realizava antes da queda de Mohamed Morsi, em julho deste ano (2013), devido a falta de um progresso digno de confiança de que o Egito estaria caminhando em direção a um governo inclusivo e eleito democraticamente através de eleições livres[2].

Desde a queda do ex-presidente Morsi pelas Forças Armadas”, o governo Obama não tem sido claro em relação aos acontecimentos no Egito. Tendo até 2011 um aliado no “Oriente Médio” sob a longa presidência de Hosni Mubarak, o norte-americanos não foram objetivos a respeito de seu posicionamento quanto aos fatos ocorridos desde então.

Quando Morsi foi eleito, houve uma preocupação consistente em relação à “Irmandade Muçulmana” no poder, porém Washington não se atreveu a apoiar o golpe militar contra o primeiro presidente escolhido democraticamente no país. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o congelamento da ajuda fornecida não pretende ser permanente, mas temporário. O objetivo principal seria incentivar o governo a adotar medidas para eleições democráticas.

Contrapondo-se à falta de clareza do posicionamento norte-americano frente à queda de Morsi, no entanto, Estados do Golfo pérsico se colocaram imediatamente a favor do golpe contra a “Irmandade Muçulmana”. A Arábia Saudita, por exemplo, afirmou que passará a fornecer auxílio ao governo egípcio, caso o Estados Unidos retirem seu apoio[3].

A questão entre Washington e Cairo vai muito além da área econômica, representando uma enorme instabilidade e incerteza para a longa aliança entre os governos norte-americano e egípcio.

Ressalte-se ainda que Mohamed Morsi continua mantido em local secreto desde sua deposição da Presidência em julho deste ano (2013). O Ex-Presidente será julgado no próximo dia 4 de novembro, segundo a mídia estatal do Egito, sob acusações de incitar assassinato e violência. As acusações se referem à morte de pelo menos sete pessoas durante confrontos entre adeptos da “Irmandade Muçulmana” e opositores que protestavam no ano passado em frente ao palácio presidencial no Cairo.

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Imagem (Fonte):

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/43411/Egypt/Politics-/EgyptUS-ties-will-be-cooler-whoever-wins-in-Egypt-.aspx

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/US-freezing-hundreds-of-millions-of-dollars-in-military-aid-to-Egpyt-328318

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24470121

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-23775816

Ver também:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/0/80827/Egypt/0/Obama-weighs-Egypt-aid-suspension.aspx