DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICAS

Presidente da plataforma streaming Youku da Alibaba é preso na China

No dia 3 de dezembro de 2018, Yang Weidong, presidente da plataforma de vídeos online Youku, foi preso por autoridades chinesas sob acusação de recebimento de pagamentos indevidos. De acordo com o periódico Caijing, Weidong teria aceitado propinas durante a produção do programa de entretenimento “This Is”, lançado em janeiro de 2018. O Youku pertence ao grupo Alibaba, o qual declarou em nota oficial que “está comprometido com as melhores condutas e padrões de negócios com cada um de nossos stakeholders, incluindo nossos clientes, parceiros comerciais e acionistas”.

Marca da Youku

O Youku foi adquirido pela Alibaba em 2015 por 3,6 bilhões de dólares (aproximadamente 14,1bilhões de reais, de acordo com cotação 14 de dezembro de 2018). Após a detenção de Weidong, FanLuyuan, CEO da Alibaba Pictures, foi anunciado como novo líder da companhia. Estima-se que o número de usuários do Youku alcance 580 milhões de indivíduos por mês e seus principais concorrentes são os aplicativos Youtube, Tencent Video e iQiyi.

Jack Ma

A prisão ocorre em um contexto de transição na liderança na Alibaba, terceira maior companhia de software da China. No dia 9 de setembro de 2018, JackMa, fundador do grupo e membro do Partido Comunista Chinês anunciou que iria se retirar do cargo de diretor executivo no final do ano (2018).

Em sua carta de despedida, Ma afirmou que a transição

demonstrará que a Alibaba passou para o próximo nível de governança corporativa. Mostrará que nos tornamos uma empresa que não depende somente de indivíduos, mas sim de sistemas organizacionais de excelência e de uma cultura de desenvolvimento de talentos”.

A prisão de Yang Weidong sugere que o próximo CEO da Alibaba, Daniel Zhang, enfrentará uma conjuntura bastante distinta do que a que seu antecessor se deparou. Não só devido a escalada de tensões entre os Estados Unidos e China na esfera internacional, mas também pelo recrudescimento das pressões regulatórias do governo chinês sobre a iniciativa privada do país. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Alibaba, em Beijing” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Alibaba_group_Headquarters.jpg/800px-Alibaba_group_Headquarters.jpg

Imagem 2 Marca da Youku” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Youku_png.png

Imagem 3 Jack Ma, fundador do grupo Alibaba” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a9/Enabling_eCommerce-Small_Enterprises%2C_Global_Players%2839008130265%29_%28cropped%29.jpg/800px-Enabling_eCommerce-Small_Enterprises%2C_Global_Players%2839008130265%29_%28cropped%29.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Lançada a Política da China para o Ártico

Lançada no último dia 26 de janeiro, a Política institucionaliza publicamente, pela primeira vez, uma posição governamental clara e abrangente acerca da visão chinesa para esta inóspita região do globo. A divulgação desse documento movimenta uma arena que, ao longo dos últimos anos, está ganhando cada vez mais espaço no cenário internacional.

Ano após ano, o debate sobre o Ártico e suas potencialidades se aprofundam. Sua evolução se dá, basicamente, orientada por duas linhas: i. impacto da mudança global do clima sobre as características geográficas desta área, elevando expectativas econômicas geradas em decorrência do recuo da cobertura de gelo da região, em especial no Oceano Ártico; ii. à medida que as mudanças no perfil climático desta região se consolidam, as expectativas econômicas e comerciais para estabelecimento de rotas marítimas comerciais e exploração dos recursos minerais aumentam gradativamente.

Variação no volume de gelo marítimo no Ártico entre 1970 e 2017

Tradicionalmente, os Estados Árticos estão mais diretamente envolvidos com os assuntos deste espaço. Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Suécia costumam pautar as discussões. Contudo, devido à visibilidade crescente da região no cenário geopolítico atual, outros atores têm se empenhado em penetrar neste restrito círculo. Japão, Índia, União Europeia, Taiwan e Panamá, para se ater a alguns exemplos, direcionaram esforços adicionais para participar da coordenação política dos assuntos relativos a ela.

No entanto, nenhum ator externo tem se destacado tanto neste processo como a China. Nos últimos anos, seu ativismo sobre essa região do globo aumentou exponencialmente, com ações organizadas no sentido de sinalizar claramente o interesse e a pretensão chinesa sobre a área.  

É neste contexto que se encaixa a “Política da China para o Ártico”. Ela apresenta-se como instrumento com diversas funcionalidades, algumas das quais serão apresentadas nos parágrafos seguintes.

1) Incentivar a construção da ideia do Ártico como uma região global

A política recém lançada tem como um dos principais objetivos dar viés global para o Ártico. A releitura defendida pelos chineses deseja fazer dela uma grande “área franca”, a qual, devido à sua relevância ambiental e potencial econômico, pode ser acessada por qualquer nação.   

Destacam-se as reiteradas referências a uma governança própria da região, em um esforço para demonstrar a estruturação da coordenação política voltada para aquela área. As menções ao Conselho do Ártico, ao Tratado de Spitsbergen, à Convenção da Nações Unidas sobre o Direito no Mar revelam as principais balizas que Beijing leva em consideração na sua tentativa de construir a visão de um Ártico global, sem desrespeitar a soberania e interesses das nações árticas.

Nesta linha, a China estabeleceu os seguintes princípios para a sua atuação: respeito, cooperação, parcerias mutuamente construtivas e sustentabilidade.

2) Manifesto pelo direito de a China participar ativamente na região

Depois de evidenciar o papel global que cabe ao Ártico, os chineses defendem o seu direito de ali atuar ativamente. O documento revela o país como um stakeholder* natural nos assuntos relativos ao Ártico, consolidando o adjetivo near-Arctic State como qualitativo da posição geográfica chinesa.

A China é o 19º país mais próximo do Círculo Polar Ártico**, ficando atrás de alguns países europeus e asiáticos. A adjetivação escolhida revela o esforço para mostrar-se geograficamente próxima a este ambiente, do qual é separada por, aproximadamente, 1.500 quilômetros.

Baseado neste entendimento, o documento anuncia que as metas chinesas para a região são: a. entender o Ártico e seu contexto; b. proteger a região do ponto de vista ambiental; c. desenvolver o Ártico do ponto de vista tecnológico, econômico e social; d. participar da governança regional.

3) Indicação dos desafios chineses no Ártico

Atenta às metas citadas acima, a nova política delineia alguns posicionamentos mais concretos da China para este espaço. O primeiro deles é no segmento de pesquisa científica, com o objetivo de aprofundar o conhecimento em setores como geologia, clima, ecologia e sociedade.

Em seguida, apresenta-se como desafio atuar levando em conta o equilíbrio entre a proteção ambiental e a utilização racional dos recursos naturais do Ártico. Nesta linha, a China evidencia suas intenções nas áreas de rotas marítimas comerciais, exploração de petróleo, gás natural e recursos não-vivos em geral, pesca e outros recursos vivos, além do desenvolvimento da indústria relacionada ao turismo.

4) Fomento da Polar Silk Road no âmbito da Belt and Road Initiative

O texto dá especial atenção ao desenvolvimento do eixo marítimo polar (Polar Silk Road) da Belt and Road Initiative, iniciativa lançada em 2013 por Beijing com o objetivo fomentar investimentos em infraestrutura ao longo dos países que fizeram parte da antiga Rota da Seda, que conectava a Europa à China.

Mapa do Ártico com as duas principais potenciais rotas de navegação comercial da região

Com este mote, os chineses planejam colocar em pauta o desenvolvimento da “Rota do Norte” (no mapa identificada como Northern Sea Route) que parte da China para a Europa margeando principalmente as aguas árticas da costa russa e norueguesa.

Essa atitude poderia fomentar o desenvolvimento de rotas comerciais pela região, as quais poderiam servir de gatilho para a viabilização econômica da infraestrutura logística da área. Fato que, por sua vez, favoreceria as pretensões chinesas e russas relacionadas com a exploração de recursos minerais, outros recursos não-vivos e de recursos vivos em geral.

A política dos chineses para o Ártico traz, de modo subjacente, duas observações. A primeira está relacionada com a pró-atividade que a sua divulgação representa, sinalizando simbolicamente a postulação da China a ascender ao papel de forte influenciador sobre a região. Hoje esse papel cabe essencialmente a Estados Unidos e Rússia, sendo que esta última dá indícios tácitos de avalizar a pretensão chinesa. A segunda trata do foco que o documento dá ao uso racional das potencialidades econômicas projetadas para a região, pautado em uma lógica que poderia ser sintetizada pelo lema “conhecer para proteger e explorar racionalmente”. A menção à Polar Silk Road coloca tal iniciativa como dos principais eixos de desdobramentos deste lema, sugerindo que a viabilização da “Rota do Norte” tende a ganhar corpo nos próximos anos, o que também é de interesse da Rússia.

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Nota:

* Stakeholders é um termo empregado pela ONU, o qual se refere às principais organizações e atores interessados e impactados diretamente pelo trabalho desenvolvido pela Organização.

** Referência comum para se estabelecer onde inicia o Ártico. Contudo, existem outras definições que podem levar a ranqueamentos distintos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa político do Ártico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Political_Map_of_the_Arctic.pdf

Imagem 2 Variação no volume de gelo marítimo no Ártico entre 1970 e 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Arctic_sea_ice_decline#/media/File:Arctic-death-spiral.png

Imagem 3 Mapa do Ártico com as duas principais potenciais rotas de navegação comercial da região” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Arctic_shipping_routes#/media/File:Map_of_the_Arctic_region_showing_the_Northeast_Passage,_the_Northern_Sea_Route_and_Northwest_Passage,_and_bathymetry.png

ÁFRICAAMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Panamá corta relações com Taiwan/Formosa em favor da China

No dia 12 de junho de 2017, os governos do Panamá e China anunciaram o estabelecimento de relações diplomáticas de alto nível, bem como o rompimento dos contatos oficiais entre a República do Panamá e Taiwan. De acordo com o comunicado publicado conjuntamente: “O Governo da República do Panamá reconhece a existência de apenas uma China no mundo, o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China, sendo Taiwan uma parte inalienável do território chinês. O governo da República do Panamá corta suas relações diplomáticas com Taiwan e se compromete a deixar todos os contatos e relações oficiais com o país”.

Navio Transportador de Container da empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês)

A decisão panamenha surpreendeu a comunidade internacional. Em dezembro de 2016, o Vice-Ministro das Relações Exteriores do país, Luis Miguel Hincapie, afirmou à agência de notícias Reuters que “as relações com Taiwan estão ótimas, em excelentes condições como sempre”. Por conta disso, o Ministro de Relações Exteriores taiwanês manifestou indignação em relação à decisão do antigo aliado. No entanto, o atual Presidente panamenho, Juan Carlos Varela, afirmou estar convencido de que se juntar as 174 nações que reconhecem o governo de Beijing como único representante legítimo da China é o caminho certo para o Panamá. Após a resolução, apenas 20 países ainda mantêm relações diplomáticas oficiais com Formosa.

O Canal do Panamá

Do ponto de vista panamenho, especialistas consideram que a aproximação com a China é impulsionada essencialmente por motivos econômicos. O fato da embarcação da companhia China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês) ter sido a primeira a atravessar o novo Canal do Panamá após o término de sua ampliação simboliza o adensamento das relações entre os dois países. Nesse contexto, Wang Yi, Ministro das Relações Exteriores chinês afirmou que o estabelecimento de laços diplomáticos entre as duas nações irá permitir a ampliação da cooperação bilateral no âmbito do comércio e investimentos. Além disso, de acordo com Jorge Quijano, chefe executivo da Autoridade do Canal do Panamá, as empresas China Harbour Engineering e China Railway Group manifestaram interesse em desenvolver projetos de infraestrutura nos arredores do canal. 

No que tange às relações diplomáticas entre China e Taiwan, analistas indicam que elas estão se deteriorando desde a eleição da presidente Tsai Ing-wen, em maio de 2016. Em junho do mesmo ano, Beijing suspendeu o contato oficial com Taipei em função da recusa da líder taiwanesa de adotar o conceito de unidade da nação chinesa. Dessa maneira, alguns especialistas sugerem que a busca pelos aliados remanescentes da ilha é parte da estratégia chinesa para isolar diplomaticamente a administração de Tsai Ing-wen. Nota-se que, além do Panamá, Gâmbia e São Tomé e Príncipe também deixaram de reconhecer Taiwan/Formosa em favor da China, em 2016.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente de Taiwan, Tsai Ingwen, e o Presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, se encontraram em Taipei em 2016” (Fonte):

http://media.president.gov.tw/EN/Image/1/Panama-20160520-20170601

Imagem 2Navio Transportador de Container da empresa chinesa China Ocean Shipping Company (COSCO, sigla em inglês)” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:COSCO_Beijing_(ship,_2006)_004.jpg

Imagem 3O Canal do Panamá” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Panama_Canal#/media/File:Ship_passing_through_Panama_Canal_01.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

China sedia Fórum da Nova Rota da Seda

A China sediou nos dias 14 e 15 de maio (2017) o Fórum da Nova Rota da Seda (Belt and Road Summit), uma grande conferência visando discutir e apresentar novos rumos para este plano de investimentos que foi anunciado oficialmente no ano de 2013. Os projetos de construção de infraestrutura envolvem diversas áreas, tais como ferrovias de alta velocidade, portos, aeroportos, gasodutos e oleodutos, além de usinas de energia. A Nova Rota da Seda deverá se estender por mais de 60 países, compreendendo 62% da população global e cerca de 30% do PIB mundial.

Mandatário chinês, Xi Jinping. Fonte: Wikipedia

O evento contou com a participação de representantes de mais de 100 países, incluindo 30 Chefes de Estado, além de funcionários da ONU, do Banco Mundial e do FMI. Nos últimos anos, a iniciativa produziu acordos com mais de 40 países e uma série de 900 projetos de infraestrutura se encontram em negociação. Até o momento, US$ 50 bilhões foram investidos na consolidação desta iniciativa, sendo que no presente Fórum o mandatário chinês Xi Jinping anunciou o investimento de US$100 bilhões nos próximos dois anos.

O pacote adicional de investimentos será dirigido pelo Banco de Exportações e Importações da China (China Eximbank) e pelo Fundo da Nova Rota da Seda, organismo criado especificamente para esta iniciativa. O Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (AIIB) atua de forma complementar a estas instituições, ao passo que possui projetos que estão situados dentro do arcabouço da Nova Rota da Seda.

Ao fim e ao cabo, a Nova Rota da Seda é a principal contribuição da China para o bem público global durante o seu processo de ascensão. Isto não retira o seu caráter de projeção de influência e Soft Power. Durante o evento, o presidente Xi Jinping enfatizou os princípios de cooperação para ganhos mútuos (win-win) e a coexistência pacífica, que seriam capitaneados pela iniciativa. Ainda neste ano (2017), a China sediará a IX Cúpula de Chefes de Estado dos BRICS, em Xiamen, mais uma oportunidade de projeção política para consolidar a imagem internacional do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa com os países que integram a iniciativa da Nova Rota da Seda” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/One_Belt_One_Road.png

Imagem 2 Mandatário chinês, Xi Jinping” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Xi_Jinping%2C_BRICS_summit_2015_01.jpg

ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Lenta e gradativamente, Alemanha se aproxima da China, líder dos Brics[:]

[:pt]

Em junho de 2016, a Chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, visitou a China. Durante a visita, foram tratados temas variados como Direitos Humanos; Acordos de Cooperação Técnica em países que sofreram desastres naturais ou políticos, especialmente o Afeganistão; a situação política e jurídica de jornalistas e organizações não-governamentais (ONGs) alemães na China (sobretudo diante de nova Lei que exigirá das organizações estrangeiras na China informações acerca da origem e destino de fundos, que entrará em vigor a partir de janeiro de 2017); a produção de aço chinês, que ameaça empresas alemãs; a falta de reciprocidade em investimentos (empresas alemãs acusam a China de impedir investimentos naquele país, enquanto chineses compram participações acionárias à vontade na Alemanha); e a atribuição à China do status de economia de mercado pela União Europeia (UE), conforme promessa da UE, logo após a adesão dos chineses à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, e cujo prazo se encerra em dezembro de 2016, sendo este, de longe, o assunto principal.

Esta foi a nona visita consecutiva da Chanceler alemã àquela potência asiática, para assinatura de 20 acordos, inclusive de negócios de, aproximadamente, € 2,7 bilhões. Essas sucessivas visitas reforçam rumores que dão conta de que a Alemanha quer se aproximar dos Brics, por meio de sua líder, a China, para um possível “Plano B” alemão, de integração com este grupo, no caso do fracasso de organizações ocidentais como o Banco Mundial, o FMI, a OTAN, a União Europeia e, também, do Dólar norte-americano.

Para fins de comparação do nível da aproximação do líder da União Europeia com o gigante asiático, desde que Brasil e China assinaram o Tratado Internacional de amizade, em 1974, tivemos as visitas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lá esteve em 1995, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com uma comitiva de mais de 400 pessoas, em 2004, fato que a imprensa estadunidense não ignorou na época, apesar da estratégia de Washington de desconsiderar, ou minimizar a importância da aproximação de potências regionais americanas com a China. Desde então, esta se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.

A última reunião entre ambos foi durante a visita do primeiro-ministro chinês Li Keqiang ao Brasil, em 2015. Nesse encontro, foram assinados 35 acordos bilaterais de US$ 53 bilhões, com destaque para o acordo de viabilidade da ferrovia transcontinental do litoral do Brasil ao Peru, país com estratégia de crescimento focada no comércio com países do Oceano Pacífico, algo que resultou no aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 3,26%, em 2015. Nessa linha estratégica, o Brasil continuará vendendo commodities à China, porém, deverá pagar “pedágio” ao Peru.

Desde 2009, os chineses são o maior parceiro comercial brasileiro, superando o tradicional Estados Unidos da América (EUA). Coincidentemente, o preço das commodities começou a desacelerar o crescimento histórico que havia dado origem ao termo “Brics”. A produção industrial brasileira despencou e muitos industriais do país responsabilizam a política de comércio exterior brasileira de maior abertura aos manufaturados chineses por esta “queda”.

A estratégia da China parece não ter enfoque em uma região específica, mas em todo o globo, investindo tanto nas economias desenvolvidas, quanto nas emergentes. O Brasil ainda se beneficia mais que a Alemanha de sua integração com os Brics, com acordos internacionais de maior volume econômico e cooperação financeira evidente, que pode ser concretizada por meio do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NBD BRICS), também referido como Banco de Desenvolvimento do BRICS, ou, simplesmente, Banco do BRICS. Porém, existe a crítica de que o governo brasileiro visita pouco o “amigo rico”, enquanto que a Alemanha – que nem integra o Bloco – realiza encontros anuais para, de forma lenta e gradual, consolidar uma parceria estratégica. O presidente interino do Brasil, Michel Temer, pretende realizar visita oficial à China em setembro deste ano (2016), podendo iniciar uma nova política econômica entre os dois países.

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Imagem (Fonte):

http://www.foxnews.com/world/2016/06/13/angela-merkel-meets-with-chinese-premier-amid-trade-concerns.html

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Japão rejeita ser membro-fundador do Banco de Desenvolvimento criado pela China

Ontem, terça-feira, dia 31 de março de 2015, o Governo japonês anunciou que não vai aderir como membro fundador ao Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (AIIB), criado pela China, e persistiu em mostrar preocupação sobre a transparência das operações desta nova entidade.

Em declarações citadas pela agência Kyodo e replicadas pela agência Bloomberg, o Ministro das Finanças, Taro Aso, declarou que “Não temos outra opção senão ser prudentes sobre a nossa participação (no AIIB)[1].

O Governo japonês mostrou-se reticente não só em relação à transparência do novo Banco de Desenvolvimento, mas também em relação a ameaça que a organização pode representar, reduzindo a influência dos EUA e do Japão no grupo do Banco Mundial (BM) e Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD)[1].

A decisão do Ministro japonês ocorre em um momento no qual mais de 40 países já aderiram como membros fundadores, incluindo estados como o Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Rússia e Brasil.

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Imagem (Fonte):

http://www.forexinfo.it/IMG/arton26086.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-03-31/japan-holds-out-on-joining-china-led-aiib-as-deadline-arrives