ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

ANÁLISE EXTRA - O Hezbollah adverte Israel para as consequências de um ataque às suas Bases

Um ataque da “Força Aérea Israelense”, em 24 de fevereiro, contra uma posição do Hezbollah (“Partido de Deus”), no leste do Líbano, perto da fronteira com a Síria, levantou a hipótese de mais um confronto armado na região. Embora tenha sido noticiada a morte de quatro pessoas, inclusive a de um comandante do Hezbollah, o partido xiita negou a existência de mortes, mas prometeu vingança[1].  De acordo com as declarações do Grupo, o ataque, que causou danos materiais, não registrou vítimas, o que contraria a versão da imprensa árabe, que noticiou a existência de vítimas e, também, a destruição de posições de artilharia e de rockets do partido islamita radical. O Hezbollah prometeu retaliar contra Israel e declarou, à “TV al-Manar”, que “a nova agressão é uma agressão flagrante contra o Líbano, a sua soberania e o seu território. A Resistência [Hezbollah] vai escolher a hora, o local e a maneira correta de responder a isso[2].

A frágil fronteira é frequentemente utilizada para o transporte ilegal de armas e de pessoas para a Síria. Segundo o jornal Ha’aretz, o suposto ataque de Israel contra as bases do Hezbollah dá ao partido xiita a legitimidade para atacar Israel sem ser acusado de ter começado uma guerra, pois o ataque do país vizinho remeteria ao direito de defesa[3]. De acordo com a imprensa local, os israelenses elevaram o nível de alerta na fronteira e enviaram uma mensagem ao Governo libanês ressaltando que este será responsabilizado por uma possível retaliação por parte do Hezbollah [4]. O “Ministro das Relações Exteriores do Líbano”, Gebran Bassil, pediu ao “Embaixador libanês na ONU”, Nawwaf Salam, para apresentar queixa contra Israel por dois supostos ataques aéreos. Segundo Bassil, foi violada a “Resolução 1701 da ONU”, de 2006, relativa ao cessar-fogo entre os dois países[5].

A situação tende a tornar-se complexa para o novo “Governo do Líbano”. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou que o ataque israelense não foi apenas dirigido contra as bases da organização, mas foi, antes, um ataque contra o território libanês[6]. Isto pressupõe que a organização esteja tentando forçar o Estado a responder ao ocorrido, embora alguns Ministros considerem que o ataque israelense teve, como objetivo exclusivo, o Hezbollah.

De acordo com a imprensa da região, apesar de estar combatendo na Síria, o Hezbollah não perdeu a capacidade militar para responder a Israel. Porém, neste momento, a estratégia relacionada com a “Guerra Civil na Síria” tem determinado os passos da organização xiita[7]. No desenvolvimento do conflito sírio, Israel é apontado, pelos porta-vozes dos rebeldes, como um colaborador militar dos combatentes anti-Bashar al-Assad. No entanto, os israelenses tem negado tais declarações, afirmando que o país tem contribuído apenas com ajuda humanitária, ao oferecer aos rebeldes médicos para tratar os feridos e alimentos em quantidade limitada.

Fontes jordanianas, em contrapartida, afirmam que Israel recebe as informações sobre a coordenação entre os EUA e a Jordânia acerca do treinamento de oficiais e soldados do “Exército Livre da Síria”.  A incerteza sobre a estratégia israelense com relação à “Guerra na Síria” tem evitado que os vários grupos islâmicos radicais abram uma frente de combate contra este país. No momento, atacar Israel permitiria o avanço das suas operações militares na Síria, mas também levaria ao comprometimento do transporte de mísseis por parte dos apoiadores de Assad e a uma possível destruição das bases do Hezbollah [8].

Um certo afastamento da “Guerra na Síria”, mantido por Israel, faz parte de um equilíbrio frágil que envolve esse ator nesta questão, o qual pode se romper a qualquer momento. Um desentendimento de maior dimensão entre Israel e o Hezbollah ampliará o conflito, determinando uma nova dinâmica e uma nova estratégia militar na região. Além disso, um embate entre um Estado e uma força militar não estatal, como é o Hezbollah, poderá arrastar o Líbano para o conflito, independentemente da sua disposição. Se tal ocorrer, o Líbano será forçado a tomar uma posição ativa em defesa de seus cidadãos e de seu território, o que implicará um conflito que não ficará restrito ao Hezbollah.

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Imagem Bandeira do Hezbollah” (Fonte):

http://wiki.islamiccounterterrorism.org/images/hezbollah/hezbollah_flags/hezbollah_flag-1200px-001.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4493653,00.html

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.576489

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[4] Ver:

http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4493653,00.html

[5] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[6] ver:

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304071004579406853547002762?mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424052702304071004579406853547002762.html

[7] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

[8] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.576691#

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