ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Grécia quer “financiamento coletivo” para adquirir novas Fragatas

Crowdfunding para Fragatas?

O Ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, suscitou aos seus compatriotas que ajudassem a financiar a compra de novas Fragatas para a Marinha do país (Marinha Helênica), por meio de doações a uma conta bancária criada para este devido fim. A ideia é aumentar a capacidade naval grega já a partir de 2019.

A intenção de Kammenos é de que os próprios gregos tenham participação na compra de novas embarcações. Isso surge após a Grécia passar por uma grave crise econômica que demandou um elevado esforço da União Europeia, com importante participação da Alemanha,exigindo, em contrapartida, medidas duras de austeridade.

Quanto às fragatas, vale ressaltar que o país dispõe de 13 navios, sendo que apenas um possui menos de 20 anos de operação. As outras 12 embarcações são, principalmente, do final dos anos 1970 e início dos anos 1980 (Standard); e dos anos 1990 (ClasseMeko-200HN). Não ficou claro, no discurso de Kammenos, se a construção dessas embarcações será em estaleiros nacionais ou internacionais.

Fragata Nikiforos Fokas – a mais nova da Marinha grega, tem 14 anos

Em um encontro com o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, comentou sobre os principais interesses de seu país e a importância do retorno das boas relações com os russos, que ficaram estagnadas desde que os helênicos passaram a enfrentar seus problemas econômicos.

Para Tsipras, é fundamental que se resolva a questão do Chipre, que é dividido ao sul, como República do Chipre, e ao norte,como República Turca do Chipre do Norte. O último é reconhecido apenas pela Turquia, rival histórica da Grécia na região, apesar de ambos serem países-membros da OTAN.

Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)

A aproximação grega com a Rússia pode ter o interesse de resolver essa questão, pressionando os turcos, que são importantes parceiros estratégicos dos russos, para que o Chipre possa, então,ser reconhecido como um único país. Existe lá uma missão de paz da ONU (UNFICYP) desde 1964.

Uma Marinha forte na região é importante aos gregos pelo patrulhamento das águas nacionais, pois, apesar de não possuir um extenso território e nem uma grande costa, a Grécia detém cerca de 6.000 ilhas, sendo a maioria desabitada, em uma região de instabilidade migratória. Ademais, a questão do Chipre não resolvida é um fator de atenção que reforça a necessidade de patrulhamento no Mediterrâneo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Selo da Marinha Helênica” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Hellenic_Navy_Seal.svg

Imagem 2Fragata Nikiforos Fokas amais nova da Marinha grega, tem 14anos” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nikiforos_Fokas_F466.jpg

Imagem 3PrimeiroMinistro grego, Alexis Tsipras (esquerda); e o Presidente russo, Vladimir Putin (direita)” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:With_Greek_Prime_Minister_Alexis_Tsipras.jpg

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Putin rebate as alegações de que hackers russos agiram nas eleições dos EUA e França

Em uma entrevista com diferentes membros da imprensa, ocorrida na manhã da última quinta-feira, dia 1º de junho, o presidente russo Vladmir Putin rebateu as acusações de que hackers russos teriam invadido e extraído informações do Comitê Nacional Democrata (DNC) para minar a campanha de Hillary Clinton e favorecer seu adversário, Donald Trump. Algo que vem sendo investigado a respeito de possíveis ligações com o Kremlin.

Putin afirmou que o Governo russo nunca realizou ataques cibernéticos contra as eleições norte-americanas. Porém, argumentou e reconheceu a hipótese de que alguns hackers russos “patrióticos” poderiam, sim, ter realizado tais ações contra os EUA, diante da tensão nas relações da Rússia com os norte-americanos.

De acordo com o Mandatário russo, “Os hackers são pessoas livres. Assim como artistas que acordam de manhã de bom humor e começam a pintar, os hackers são os mesmos, eles acordam, leem sobre algo acontecendo nas relações interestatais e, se eles têm inclinações patrióticas, eles podem tentar adicionar sua contribuição para a luta contra aqueles que falam mal sobre a Rússia”. Ele ainda levantou a hipótese de que os ataques cibernéticos teriam sido realizados por terceiros e estavam sendo usados para culpar os russos, adicionando à atual “histeria russofóbica” que vêm se espalhando pelos EUA.

O Presidente também negou o envolvimento russo nas eleições da França. Após Putin demonstrar simpatia por Marine Le Pen, opositora do agora eleito Emmanuel Macrón, os responsáveis da campanha deste alegaram que hackers russos teriam invadido os computadores da campanha do candidato francês e teriam vazado informações privadas de Macrón.

Putin ressaltou que não acreditava que hackers, independente de sua origem, poderiam manipular eleições. Declarou: “(e)stou profundamente convencido de que nenhum hacker pode influenciar radicalmente a campanha eleitoral de outro país. Nenhum hacker pode influenciar campanhas eleitorais em qualquer país da Europa, Ásia ou América”.

Captura de Tela de um do relatório da NSA

Porém, no dia 5 de junho, o site The Intercept obteve e divulgou um relatório secreto da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA). O relatório é datado de 5 de maio de 2017 e é fruto das investigações do envolvimento russo nas eleições estadunidenses ocorridas em novembro do ano passado (2016).

Nele se alega que a Diretoria de Inteligência Principal do Estado-Maior Russo (GRU) teria realizado ataques cibernéticos contra um fornecedor de software para as eleições e contra mais de 100 representantes eleitorais. De acordo com o relatório, “Os atores da Diretoria de Inteligência Principal do Estado-Maior Russa… executaram operações de ciberespionagem contra uma empresa americana nomeada em agosto de 2016, evidentemente para obter informações sobre soluções de software e hardware relacionadas a eleições. (…). Os atores provavelmente usaram dados obtidos dessa operação para (…) lançar uma campanha de lança-phishing*, com registro de eleitores, dirigida às organizações de governo local dos Estados Unidos”.

Trata-se de um relatório final que não apresenta como a NSA conseguiu provas para essas alegações, no entanto, o documento foi autenticado e um oficial de inteligência norte-americano, que não quis ser identificado, alertou ao The Intercept para que não se tirassem conclusões definitivas, já que uma única análise não é necessariamente a última.

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* Lança-phishing: método usado por hackers onde enviam e-mails se passando por serviços e pessoas conhecidas, em uma tentativa de extrair informações dos alvos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vladmir Putin” (Fonte By Kremlin.ru, CC BY 4.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=40763566

Imagem 2Captura de Tela de um do relatório da NSA” ( Fonte):

https://www.documentcloud.org/documents/3766950-NSA-Report-on-Russia-Spearphishing.html#document/p1

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Relações Rússia-Ucrânia frente a aproximação ucraniana com a União Europeia

Desde que a crise política ucraniana teve início, no segundo semestre de 2013, há uma busca por parte do novo Governo da Ucrânia em concretizar um alinhamento com a União Europeia, saindo da zona de influência da Federação Russa. Desde então, Moscou tem alertado que essa decisão poderia impactar nas relações comerciais e na manutenção das aberturas alfandegarias existentes, que configuram parte expressiva da histórica relação russo-ucraniana, a qual, por determinantes geográficos, é de interesse tanto da Rússia como da Ucrânia.

As relações econômicas entre os dois países constituem mais uma situação de necessidade que uma opção, principalmente na perspectiva energética, onde pode ser observado que o consumo de gás natural na Ucrânia é crescente e a Rússia, que detém a maior reserva de gás natural do mundo, e é seu maior vizinho fronteiriço, possui capacidade de fornecimento por muitos anos, acrescentando-se que de forma muito superior ao fornecimento proveniente de quaisquer outras reservas de gás natural existentes no mundo.

Entretanto, a Ucrânia tem tido problemas para a negociação dos débitos derivados de compras de gás da Rússia, que, antes, por serem realizadas em “modelo pago pelo consumo”, geraram abertura de dívidas crescentes ao longo da crise econômica que o país sofreu após 2008, adicionado do problema gerado com o extravio de gás destinado a países do Bloco Europeu, que era realizado por estatais ucranianas. Esse débito passou por um processo de negociação ao longo de 2014 e 2015 e propostas por parte da Rússia vem consolidando novas formas de pagamento para aquisição do gás, sendo, desde o final de 2014, usado o “modelo pré-pago”, com flexibilização para o pagamento dos débitos existentes e para o qual a Federação Russa aceitaria prestações mais brandas que as praticadas pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Governo ucraniano, no entanto, não tem observado a Federação Russa como um parceiro estratégico na área energética e não enxerga como prioridade o encerramento dos débitos existentes, tanto que, no final de 2015, decretou a proibição de importação de gás e petróleo da Rússia, por parte de suas estatais, e utilizou como principal argumento ser mais barata a aquisição de gás e petróleo através dos parceiros na União Europeia.

Outra perspectiva que  indica o afastamento da Ucrânia em relação à Federação Russa é a sua adesão ao Tratado de Livre Comércio Europeu, com a qual abre as fronteiras comerciais existentes com os países da União Europeia, resultando, tal atitude, na suspensão automática do Livre Tratado Russo-Ucraniano, por parte do Kremlin. Na época, o Governo russo comentou a suspensão como decorrente de circunstâncias excepcionais que afetam os interesses e segurança econômica da Rússia, exigindo uma ação imediata.

Em realidade, a Ucrânia se movimentou em busca deste cenário desde que iniciaram os protestos no país, em 2013. O distanciamento político da Rússia não se deu com base numa postura estratégica de “equidistância pragmática”, pois foi preservada uma expressiva postura de rivalidade política com a Rússia, a qual, pela conjuntura atual, atrelou-a aos interesses dos países da União Europeia. Contudo, em prospecções de cenários de longo prazo, analistas especulam que essas decisões não são tão ardilosas e irão afetar a população diretamente, tanto dos ucranianos, como dos russos e dos separatistas no território leste da Ucrânia, que, até então, possuem um acordo com o Governo central, em Minsk, para manterem três anos de autonomia governamental.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Ministry_of_Foreign_Affairs_of_Ukraine.JPG

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Ucrânia proíbe importação de Gás e Petróleo da Rússia para suas estatais

Na quarta-feira, dia 25 de novembro, o Primeiro-Ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, declarou que a Ucrânia não importará mais gás e petróleo da Federação Russa. Seu principal argumento é que se tornou mais barato comprar gás do Oeste Europeu, do que da Rússia.

‎É possível entender a decisão da Ucrânia como uma forma de evitar um comprometimento maior com o seu credor, uma vez que há débito aberto pelo gás consumido anteriormente à crise política que o país atravessa. Até o momento, para evitar mais calotes, a Federação Russa estava adotando o método pré-pago de venda e, recentemente, apresentou projeto de liquidação dos débitos abertos, a qual poderia ser feita em parcelas.

Analistas apontam que,  na atual conjuntura, apesar de lógico, o posicionamento ucraniano não é estratégico para um cenário prospectivo de 10 a 20 anos, mediante a demanda energética do país, uma vez que é a Federação Russa quem possui a maior reserva de gás natural do mundo, além de ser sua vizinha fronteiriça, algo que positivo para as negociações comerciais, uma vez que resolve problemas logísticos, interferindo nos preços e na economia do país.

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Imagem (Fonte):

http://cdn.itar-tass.com/width/744_b12f2926/tass/m2/en/uploads/i/20151125/1115598.jpg (

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Indícios de que Ucrânia atingiu o avião do Voo MH117

O presidente da empresa AlmazAntey, Yan Novikov, declarou na terça-feira (dia 2 de junho), que há provas emitidas por fotografias de satélites americanos no momento da derrubada do Voo MH117 da Malasya Airlines que podem expor quem é o verdadeiro culpado. Um dos principais argumentos levantados é o de que existem restritas possibilidades de projéteis capazes de abater o avião comercial do Voo MH117 da forma que ele foi abatido e na região em que se localizava[1].

Uma das hipóteses mais prováveis é de que o disparo tenha sido realizado por um sistema BUK, fabricado pela própria empresa AlmazAntey, mas com um tipo de projétil já desabilitado dos inventários russos, estando unicamente em operação até 2012 na Ucrânia, que também possui um sistema móvel BUK de lançamento de Mísseis TerraAr (Disparo de terra, para atingir alvo em movimento no ar).

Ainda de acordo com Yan Novikov, essas evidências somadas com os testemunhos da localização das tropas ucranianas no momento da queda do avião, coloca a Ucrânia como principal responsável, entretanto ainda há de ser feito estudos e simulações para provar essa inclinação sugerida pelo presidente da AlmazAntey.

Analistas observam que uma vez comprovado o uso de projétil teleguiado terra-ar, não há como indicar a Rússia como suspeita, já que não havia tropas regulares russas na região ou, muito menos, com capacidade de realizar o ataque ao voo comercial nas circunstâncias em que foi realizado, principalmente com relatos constantes de presença do Sistema BUK no território ocupado pelas tropas ucranianas[2].

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Imagem (Fonte):

http://en.wikipedia.org/wiki/Buk_missile_system#/media/File:Buk-M2-MAKS-2007-2.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Russian arms producer ready to stage experiment to prove Buk-M1 missile hit flight MH17” (Publicado em  2 de junho de 2015):

http://tass.ru/en/world/798098

[2] Ver How flight MH17 was obliterated in just 12 seconds: BUK missile system carrying 150lbs of explosives fired at doomed Malaysian flight with 95% accuracy” (Publicado em 28 de julho de 2014):

http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2697068/How-MH17-obliterated-just-12-seconds-BUK-missile-carrying-150lbs-explosives-fired-doomed-Malaysian-flight-95-accuracy.html

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pesquisa de Opinião revela percepção russa sobre seu Presidente

Na última sexta-feira, dia 27, o Centro Levada[1], organização não-governamental de pesquisa sociológica, publicou seu último relatório sobre a percepção dos cidadãos russos a respeito das ações realizadas pelo presidente Vladimir Putin nos últimos anos. E o resultado foi benéfico ao mandatário russo.

De acordo com a pesquisa, 85% dos entrevistados aprovam a Presidência de Vladimir Putin[1]. Num sistema de perguntas não excludente, onde o entrevistado pode selecionar mais de uma resposta para a pergunta, 49% dos pesquisados disseram que a grande conquista de Putin foi a de recolocar o país no status de grande potência mundial. Além disso, a estabilização do norte do Cáucaso (34%), a contenção de movimentos separatistas e a consequente saída do país de um eventual colapso (33%), bem como o aumento dos salários, pensões e benefícios (29%) e seu sucesso em lidar com as graves consequências da crise econômica de 2008 (29%) foram mencionados pelos eleitores como outras grandes conquistas realizadas pelo mandatário russo[2].

Entre as qualidades do Presidente, 41% dos entrevistados apontaram para sua força de vontade, energia e determinação como as melhores características do Chefe de Estado. Ademais, foram citadas como outras qualidades: sua experiência (40%), sua habilidade de liderança (25%), seu ímpeto por defender os interesses do Estado (23%), sua liderança visionária (23%) e sua capacidade de garantir a estabilidade do país (17%). A pesquisa ouviu 1.600 pessoas, em 134 regiões da Federação Russa, em março deste ano (2015). A margem de erro é de 3,4%, tanto para mais, como para menos.

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Imagem (Fonte):

http://therealrevo.com/blog/wp-content/uploads/2009/09/wink-putin-505×325.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.levada.ru/eng/

[2] Ver:

http://sputniknews.com/politics/20150327/1020115696.html