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O partido de Érdogan é favorito para as eleições legislativas turcas

As eleições na Turquia, que acontecerão depois de amanhã, domingo, dia 7 de junho de 2015, são históricas para os cidadãos turcos que vivem no exterior. Pela primeira vez, eles vão ter a oportunidade de votar nas legislativas. Cerca de 2,8 milhões de turcos podem votar e mais da metade desse eleitorado mora na Alemanha. A maior comunidade está localizada na região da Renânia do NorteVestefália e, apesar da distância de Ancara, a tensão não é muito menor. Em muitas cidades foram registrados confrontos violentos entre partidários e críticos do presidente islamitaconservador Recép Tayyíp Érdogan[1].

Érdogan apresentou uma denúncia contra o editor-chefe do jornal Cumhuriyet Dján Dündar que publicou uma informação sobre o suposto envio de armas por parte do Governo turco a grupos islamitas na Síria. O Cumhuriyet publicou no dia 29 de maio dе 2015 uma matéria com fotos e vídeos que mostram caminhões carregados de armas que foram interceptados no início de 2014 no caminho para a Síria, escoltados por agentes dos Serviços de Inteligência Turcos. O Governo garante que os caminhões levavam ajuda para a população turca e que as acusações de envios de armas aos jihadistas são falsas e partem de uma operação, a qual chama Estado Paralelo, para derrubar o Governo[2].

Antes de formalizar a denúncia, Érdogan havia anunciado em entrevista transmitida pela televisão que o jornalista pagaria um “preço alto” por essa matéria. Intelectuais turcos, entre eles o Nobel de Literatura, Orhán Pamúk, manifestaram apoio ao jornalista e lembraram que a “liberdade de imprensa” é uma parte essencial da Democracia. A Organização Não Governamental (ONG) Human Rights Watch[3] denunciou a investigação aberta pela promotoria sobre a informação publicada pelo Cumhuriyet.

Segundo a organização, trata-se do “último ataque contra os veículos de comunicação que desafiam o governo, dias antes das eleições gerais na Turquia do dia 7 de junho (domingo). A investigação deveria ser suspensa imediatamente[4]. Os promotores que ordenaram o registro dos caminhões e os agentes que realizaram a operação foram presos acusados de traição e conspiração. A acusação, que pede duas penas de prisão perpétua contra Dján Dündar, do jornal Cumhuriyet, argumenta que essa informação significou um ato de colaboração com uma suposta organização de conspiradores que montou um complô para criar a impressão de que a Turquia ajudava Organizações Terroristas.

O partido de Erdogan, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (em turco: Adalet ve Kalkınma Partisi / AKP) – no poder desde 2002 – é favorito, embora se apresente debilitado às eleições de domingo.

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Imagem (Fonte):

http://novinite.bg/articles/94294/Predi-izborite-Erdogan-iska-dojivotna-prisada-za-jurnalist

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/02/sundays-poll-could-upend-turkish-politics-and-weaken-the-parliament

[2] Ver:

http://www.cumhuriyet.com.tr/video/video/291259/Dundar__Asil_zor_gunler_Erdogan_icin_basliyor.html

[3] Ver:

http://www.hrw.org/

[4] Ver:

http://www.hrw.org/news/2015/06/03/turkey-newspaper-under-threat-over-syria-arms-story

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Turquia construirá muro na fronteira com a Síria

As autoridades da Turquia começaram os preparativos para construir um muro em alguns pontos da fronteira com a Síria para prevenir atos de contrabando[1]. A segunda brigada de fronteira iniciou os trabalhos de escavação perto da cidade de Nusaybin (em frente à cidade síria de Qamishli), a cerca de mil quilômetros da capital da Turquia, Ancara. O muro terá uma altura de dois metros e arame farpado, mas sua extensão não foi divulgada.

Ano passado (2012), grupos de contrabandistas se enfrentaram várias vezes com as forças fronteiriças turcas e milhares de refugiados sírios cruzaram a fronteira do país vizinho para fugir da “Guerra Civil em seu país*. As autoridades turcas estimam que 250 mil refugiados sírios vivem em abrigos na fronteira e outros 250 mil em outras regiões do país, inclusive Istambul e Ancara. O ministro de Alfândegas e Comércio, Hayati Yazici[2], afirmou que o Governo assinou um protocolo com o Exército para a construção do muro.

A fronteira da Turquia com a Síria tem no total aproximado de 900 quilômetros de extensão. “Quando o muro estiver pronto, a segurança ao longo da fronteira estará em um nível superior[2], afirmou Yazici, que informou ainda que serão usadas câmeras de vídeo e sistema de raios X para melhorar a segurança nessa área fronteiriça.

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* “Guerra Civil Síria” (às vezes referida como “Revolta Síria”, ou ainda “Revolução Síria”, em árabe: الأزمة السورية) é um conflito interno em andamento na Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciado por outros protestos simultâneos no mundo árabe. As manifestações populares por mudanças no governo foram descritas como “sem precedentes”. Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo “terroristas armados que visam desestabilizar o país”.

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Imagem (Fonte):

http://islam.ru/en/content/news/security-wall-be-built-turkey-s-syrian-border

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.550997

[2] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/turkey-builds-wall-along-syria-border.aspx?pageID=238&nID=55801&NewsCatID=341