ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Relações Rússia-Ucrânia frente a aproximação ucraniana com a União Europeia

Desde que a crise política ucraniana teve início, no segundo semestre de 2013, há uma busca por parte do novo Governo da Ucrânia em concretizar um alinhamento com a União Europeia, saindo da zona de influência da Federação Russa. Desde então, Moscou tem alertado que essa decisão poderia impactar nas relações comerciais e na manutenção das aberturas alfandegarias existentes, que configuram parte expressiva da histórica relação russo-ucraniana, a qual, por determinantes geográficos, é de interesse tanto da Rússia como da Ucrânia.

As relações econômicas entre os dois países constituem mais uma situação de necessidade que uma opção, principalmente na perspectiva energética, onde pode ser observado que o consumo de gás natural na Ucrânia é crescente e a Rússia, que detém a maior reserva de gás natural do mundo, e é seu maior vizinho fronteiriço, possui capacidade de fornecimento por muitos anos, acrescentando-se que de forma muito superior ao fornecimento proveniente de quaisquer outras reservas de gás natural existentes no mundo.

Entretanto, a Ucrânia tem tido problemas para a negociação dos débitos derivados de compras de gás da Rússia, que, antes, por serem realizadas em “modelo pago pelo consumo”, geraram abertura de dívidas crescentes ao longo da crise econômica que o país sofreu após 2008, adicionado do problema gerado com o extravio de gás destinado a países do Bloco Europeu, que era realizado por estatais ucranianas. Esse débito passou por um processo de negociação ao longo de 2014 e 2015 e propostas por parte da Rússia vem consolidando novas formas de pagamento para aquisição do gás, sendo, desde o final de 2014, usado o “modelo pré-pago”, com flexibilização para o pagamento dos débitos existentes e para o qual a Federação Russa aceitaria prestações mais brandas que as praticadas pelo próprio Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Governo ucraniano, no entanto, não tem observado a Federação Russa como um parceiro estratégico na área energética e não enxerga como prioridade o encerramento dos débitos existentes, tanto que, no final de 2015, decretou a proibição de importação de gás e petróleo da Rússia, por parte de suas estatais, e utilizou como principal argumento ser mais barata a aquisição de gás e petróleo através dos parceiros na União Europeia.

Outra perspectiva que  indica o afastamento da Ucrânia em relação à Federação Russa é a sua adesão ao Tratado de Livre Comércio Europeu, com a qual abre as fronteiras comerciais existentes com os países da União Europeia, resultando, tal atitude, na suspensão automática do Livre Tratado Russo-Ucraniano, por parte do Kremlin. Na época, o Governo russo comentou a suspensão como decorrente de circunstâncias excepcionais que afetam os interesses e segurança econômica da Rússia, exigindo uma ação imediata.

Em realidade, a Ucrânia se movimentou em busca deste cenário desde que iniciaram os protestos no país, em 2013. O distanciamento político da Rússia não se deu com base numa postura estratégica de “equidistância pragmática”, pois foi preservada uma expressiva postura de rivalidade política com a Rússia, a qual, pela conjuntura atual, atrelou-a aos interesses dos países da União Europeia. Contudo, em prospecções de cenários de longo prazo, analistas especulam que essas decisões não são tão ardilosas e irão afetar a população diretamente, tanto dos ucranianos, como dos russos e dos separatistas no território leste da Ucrânia, que, até então, possuem um acordo com o Governo central, em Minsk, para manterem três anos de autonomia governamental.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d7/Ministry_of_Foreign_Affairs_of_Ukraine.JPG

ECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Ucrânia proíbe importação de Gás e Petróleo da Rússia para suas estatais

Na quarta-feira, dia 25 de novembro, o Primeiro-Ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, declarou que a Ucrânia não importará mais gás e petróleo da Federação Russa. Seu principal argumento é que se tornou mais barato comprar gás do Oeste Europeu, do que da Rússia.

‎É possível entender a decisão da Ucrânia como uma forma de evitar um comprometimento maior com o seu credor, uma vez que há débito aberto pelo gás consumido anteriormente à crise política que o país atravessa. Até o momento, para evitar mais calotes, a Federação Russa estava adotando o método pré-pago de venda e, recentemente, apresentou projeto de liquidação dos débitos abertos, a qual poderia ser feita em parcelas.

Analistas apontam que,  na atual conjuntura, apesar de lógico, o posicionamento ucraniano não é estratégico para um cenário prospectivo de 10 a 20 anos, mediante a demanda energética do país, uma vez que é a Federação Russa quem possui a maior reserva de gás natural do mundo, além de ser sua vizinha fronteiriça, algo que positivo para as negociações comerciais, uma vez que resolve problemas logísticos, interferindo nos preços e na economia do país.

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Imagem (Fonte):

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