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Táticas de vigilância anti-terrorismo contra manifestantes nos EUA

Durante esta semana, o site The Intercept publicou uma leva de documentos, revelando que táticas de vigilância que eram usadas apenas para monitorar suspeitos de terrorismo estão sendo aplicadas contra manifestantes opositores à instalação do Oleoduto “Dakota Access”, o qual começa em uma reserva indígena na Dakota do Norte.

Protestos contra a sua construção vinham acontecendo desde 2016, recebendo forte repressão por parte da polícia local e de empresas de segurança privada, que usaram canhões d’água, gás de pimenta e até cães para dispersar os manifestantes. Por fim, a situação parecia ter sido resolvida quando o então presidente Barack Obama vetou a instalação dos Oleodutos. No entanto, em uma de suas primeiras medidas no governo, Donald Trump assinou uma ordem executiva, liberando as suas construções.

Logo TigerSwan

Em 2016, durante o auge dos protestos contra o oleoduto, a Energy Transfer Partners, responsável pela obra, contratou a empresa TigerSwan para controlar as manifestações. A TigerSwan é uma empresa militar privada, com aproximadamente 350 empregados espalhados em escritórios no Iraque, no Afeganistão, na Arábia Saudita, na Índia, na Jordânia, no Japão e na América Latina. Ela é conhecida por suas operações antiterroristas, principalmente no Oriente Médio, e foi criada por um ex-comandante da força de elite Delta dos Estados Unidos.

Segundo os documentos obtidos pelo The Intercept, a TigerSwan começou a usar métodos de vigilância como drones, monitoramento das comunicações entre manifestantes em redes sociais, e escutas. Essas operações foram realizadas pelo que ficou conhecido como “Grupo de Inteligência” e depois eram repassadas ao FBI, ao Departamento de Segurança Nacional (Department of Homeland Security), ao Departamento de Justiça (U.S. Justice Department), além da polícia local.

Imagem do relatório Interno da TigerSwan mostrando a vigilância por drones dos acampamentos dos manifestantes

Em uma das comunicações internas da TigerSwan, vazadas ao The Intercept, o movimento contra o oleoduto é tratado como “uma insurgência ideologicamente impulsionada com um forte componente religioso” e depois compara os manifestantes à jihadistas no Afeganistão, surgidos após a queda do modelo soviético. Por fim, o comunicado termina com: “Embora possamos esperar ver a disseminação contínua da diáspora anti-oleoduto… a preparação de inteligência agressiva do campo de batalha e a coordenação ativa entre inteligência e elementos de segurança são agora um método comprovado de derrotar insurgências contrarias ao oleoduto”.

Termos como “campo de batalha”, “insurgência” e “diáspora” evidenciam o tratamento que os manifestantes vêm recebendo por parte da empresa e dos organismos locais de cumprimento da lei. Porém, como observadores, analistas e entidades apontam, não se tratam de terroristas e sim de pessoas exercendo seu direito democrático de protestar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo TigerSwan” (Fonte):

http://www.tigerswan.com

Imagem 2 Imagem do relatório Interno da TigerSwan mostrando a vigilância por drones dos acampamentos dos manifestantes” (Fonte):

https://assets.documentcloud.org/documents/3755595/Shared-Daily-Intelligence-Update-2016-11-05.pdf

Imagem 3 Outra imagem do relatório interno da TigerSwan mostrando a vigilância por drones dos acampamentos dos manifestantes” (Fonte):

https://assets.documentcloud.org/documents/3755595/Shared-Daily-Intelligence-Update-2016-11-05.pdf

About author

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.
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