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[:pt]Tempo de reavaliação na política da União Europeia[:]

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Apesar da ampla vantagem obtida pelo candidato francês Emmanuel Macron frente a sua adversária Marine Le Pen nas eleições, a situação política da França e da União Europeia ainda estão longe de uma resolução final, sendo esta vitória apenas um tempo de prorrogação, no qual a União Europeia deve fazer uma reavaliação tanto do cenário interno como externo e analisar os fatores que levaram o Bloco a situação atual e promover as mudanças necessárias para recuperar a credibilidade do projeto europeu e da integração da Europa.  

As eleições na França não foram as únicas que evidenciaram a instabilidade política da região. A situação já se havia repetido na Espanha, na Itália, na Áustria e nos Países Baixos. Assim mesmo, os processos sociais e políticos presentes em todos os comícios realizados no Bloco ao longo dos últimos dois anos possuem raízes comuns ou formação similar.

Por um lado, a pressão econômica fruto da austeridade imposta pelo Banco Central Europeu como forma de superar a crise econômica internacional, forçou os países da Europa a realizarem uma série de reformas que impactaram nos índices sociais e na prestação de serviços; por outro lado a instabilidade regional colocou em evidência as divergências e assimetrias intrínsecas do Bloco, promovendo uma onda de discursos nacionalistas e manifestações populares, somando-se a esse cenário as modificações no panorama regional e internacional, como as tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco, a gestão de Donald Trump, a Guerra na Síria e as pressões migratórias, além do próprio realinhamento global.

Nem mesmo na França a palavra final foi dada, já que as eleições legislativas que vão ocorrer no próximo mês de junho podem reduzir a força do candidato eleito e lhe obrigar a estabelecer alianças políticas.

As eleições na Alemanha apresentam certa estabilidade e, segundo as últimas pesquisas, o candidato da Presidência será eleito. Ainda assim, cabe analisar se o posicionamento da maior economia da Europa continuará sendo o mesmo, tanto a nível interno como em sua interlocução com os Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.

Outro fator que pode afetar o cenário europeu é a chegada do verão e o aumento substancial no fluxo de imigrantes e refugiados que atravessam as aguas do Mediterrâneo e geram discussões entre os países receptores e os demais países da União Europeia (UE), além de uma crescente pressão internacional.

Sendo assim, o futuro da Europa em pleno aniversário de 60 anos do Bloco ainda é incerto. A vitória da França não supõe o fim das tensões e desafios, mas sim uma prorrogação de 5 anos na qual a União Europeia deve avaliar sua situação e buscar soluções capazes de viabilizar seu projeto de integração.

A Europa deve avaliar sua política em relação aos fluxos de financiamento interno. Analisar os exemplos de reformas que funcionaram em alguns países como Portugal, mas em outros produziram uma profunda crise social e política, como no caso da Grécia. Deve repensar seu posicionamento no mundo e nos fluxos globais, assim como sua participação em temas de interesse humanitário como a Guerra da Síria ou o avanço do Estado Islâmico nos países do Norte da África. Deve buscar um equilíbrio dentro de uma realidade poli segmentada com diversas rupturas e tensões.

Parece que uma das vias que encontrou o Bloco europeu de aumentar sua credibilidade foi apoiando a restruturação do Mercosul e negociando um Acordo de Livre Comércio entre ambos, promovendo, dessa forma, um aumento dos investimentos europeus nos países da América do Sul e, ao mesmo tempo, facilitando o trânsito de mercadorias. Segundo autoridades de ambos lados, o Acordo deve ser publicado no final deste ano (2017).

A gestão dos Estados Unidos se transformou na antítese do projeto europeu, pois o isolacionismo e unilateralismo defendido por Donald Trump é contrário aos princípios que condicionam a União Europeia, algo que está forçando o grupo a reavaliar suas relações com a potência americana. Por outro lado, o Reino Unido começa a dar sinais de divisões entre aqueles que votaram a favor da cisão com a União Europeia. Os fatores que pressionam a UE são muitos e o Bloco possui 5 anos para avaliar cada um deles, bem como promover mudanças, caso contrário será um território fértil para o acirramento dos nacionalistas e eurocéticos.

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Imagem 1 Macron festejando a vitória” (Fonte):

http://static.euronews.com/articles/364195/640x360_364195.jpg

Imagem 2 Parlamento Europeu” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/47/Hemicycle_of_Louise_Weiss_building_of_the_European_Parliament%2C_Strasbourg.jpg

Imagem 3 Blocos Econômicos” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1d/Organiza%C3%A7%C3%B5es_Regionais_no_Mundo.svg/1280px-Organiza%C3%A7%C3%B5es_Regionais_no_Mundo.svg.png

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About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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