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A amplitude do terrorismo como ferramenta política de alteração da ordem mundial de concepção ocidental está a gerar um quadro cujas cenas de violência e barbáries desmontaram por completo o cotidiano de inúmeras populações. Os deslocados na África, Oriente Médio e Sudeste Asiático, por exemplo, ao fugirem de conjunturas humanitárias degradantes em busca de dignidade esbarraram justamente na ordem internacional ocidental que modelou estruturalmente ao longo de séculos os imbróglios e entreveros testemunhados cotidianamente.

Esses povos estão conscientes de como o colonialismo e as intervenções militares em busca de recursos naturais, petróleo e posições estratégicas contribuíram para suas misérias e para as guerras que os dividem.

Nesse sentido, ao utilizar o conceito de terrorismo como recorte para analisar o atual momento do sistema internacional, é salutar inserir os Estados Unidos na cadeia de causalidades dos eventos recentes e importar cenários na Somália e Oriente Médio como pano de fundo para ilustrar a política externa norte-americana, bem como sua política de segurança nacional.

A Somália, país entregue ao caos e desgoverno é um ponto de interesse para Washington em vista do intenso fluxo comercial nas águas do Golfo de Áden e também pela atividade terrorista que se financia em parte pela pirataria. A presença norte-americana na cidade portuária de Kismayo trouxe esforços de contraterrorismo em conjunto com forças da União Africana na luta contra o AlShabab e a AlQaeda cercados por ataques aéreos de Drones e incursões de forças especiais geridas pela AFRICOM (United States Africa Command, na sigla em inglês)

Essa presença ostensiva das três forças militares dos Estados Unidos é parte de um engajamento secreto, dentro das diretrizes do plano de segurança nacional que coloca a região do Chifre da África (Eritréia, Djibouti, Somália, Quênia e Etiópia) como volátil e de intensa atividade insurgente. Tal posicionamento tomou forma de assistência em inteligência, operações especiais e programas de cooperação militar técnica, além de financiamento de tropas da African Union Mission in Somalia (AMISOM, na sigla em inglês). Os objetivos já alcançados incluem alvos do AlShabab, grupo terrorista responsável pelo atentado no Westgate Mall no Quênia, ataques aéreos a comboios de militantes do alto escalão da AlQaeda baseados em território somali, dentre outras atividades que são mantidas em segredo pelo Pentágono.

O quadro no Oriente Médio, por sua vez, apresenta uma estrutura difusa, em virtude dos inúmeros elementos que compõem o cenário beligerante do subcontinente. Segundo analistas internacionais, o modelo adotado e influente do Estado Islâmico nas linhas sírias e iraquianas, apresenta características de organização e influência muito distintas tais como: propaganda como tática militar, operações de mídia centralizadas, guerra psicológica, difusão de ideologia e estratégia militar fechada e centralizada, por exemplo.

Desse modo, para as estratégias e táticas já discutidas no âmbito de solvência do Islamic State of Iraq and al-Sham (ISIS, na sigla em inglês), todas a níveis paliativos, a reflexão que deve ser elaborada deve conter elementos que estimule os entendimentos dos esforços que levaram a degradação social desses povos e as medidas que poderiam ser adotadas no plano político, econômico e social para superar as barreiras que o bastião ocidental construiu para auferir uma sobreposição a essas civilizações, pois o cenário que remete a sempre necessidade de imperativo militar norte-americano é um ciclo de sobrevida para um sistema internacional já desgastado pautado na agenda dos grandes atores.

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Imagem (Fonte):

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/02083/MQ-9-Reaper_2083967b.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://foreignpolicy.com/2015/07/02/exclusive-u-s-operates-drones-from-secret-bases-in-somalia-special-operations-jsoc-black-hawk-down/

Ver:

https://news.vice.com/article/my-journey-inside-the-islamic-state

Ver:

http://carnegie-mec.org/2015/06/29/islamic-state-s-strategy-lasting-and-expanding/ib5x

Ver:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/tunisia-entre-a-democracia-e-o-terror-3500.html

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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