ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Time de futebol Nacional-AM está próximo de ser controlado por grupo chinês

Impulsionada pelo tradicional investimento privado no futebol europeu e atraída pelas perspectivas de retorno a longo prazo no Brasil, a Ledman Sports, divisão esportiva da Ledman Optoeletronic – empresa chinesa gigante do ramo de fabricação de LEDs –, está próxima de assumir o controle do departamento de futebol do Nacional Futebol Clube (NFC), time amazonense fundado em 1913, de maior torcida do Estado, e que irá disputar a série D brasileira a partir do dia 22 deste mês (abril de 2018).

Após Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 23 de março de 2018, os sócios e diretores do “Naça”, como é popularmente conhecido o NFC, aprovaram por unanimidade a proposta advinda da empresa asiática. Restando apenas a revisão de uma minuta para assinatura do contrato, a terceirização do departamento está prevista para os próximos 20 anos, e o primeiro aporte, no valor de US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,3 milhões de reais), deverá ser transferido em até cinco dias, após a oficialização do acordo, prevista para acontecer até o fim deste mês (abril de 2018). O principal objetivo desta nova gestão, depois de dois meses de negociação, é levar o time à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Sede da Ledman Optoeletronic, na cidade de Shenzhen, China

A introdução da Ledman com a área dos negócios esportivos foi em 2011, quando era fornecedora oficial dos painéis publicitários, chegando a tornar-se patrocinadora oficial da Super Liga Chinesa e parceira estratégica da Associação Chinesa de Futebol.

Além da publicidade, a companhia controla o Shenzhen Ledman Football Club, fundado em 2015 e pertencente à terceira divisão do campeonato chinês. No ano de 2016, adquiriu 100% dos direitos do Newcastle Jets, atual segundo colocado da primeira divisão do futebol australiano, como também passou a dar nome à segunda divisão da Liga Portuguesa de Futebol – hoje chamada de Ledman Liga Pro –, enquanto principal patrocinador, sendo a primeira empresa chinesa a conseguir tal feito.

Escudo do Shenzhen Ledman Football Club

Em contrapartida, o grupo proporciona o intercâmbio de jogadores e treinadores chineses como forma de aprimorar a qualidade do campeonato chinês. Tal projeto irá se repetir aqui no Brasil, onde a Ledman enviará atletas para estagiarem no Nacional, da mesma forma em que existe a possibilidade de indicação de jogadores para a segunda divisão portuguesa e para o Shenzhen Ledman.

Há investimentos semelhantes aos da Ledman que surtiram bons resultados no mundo. O caso de destaque mais recente é o do Leicester City, time inglês adquirido por pouco menos de US$ 56 milhões (R$ 185 milhões) em 2010 pelo dono e fundador da empresa de Duty Free King Power: o tailandês bilionário Vichai Srivaddhanaprabha. O capital investido auxiliou para que o time voltasse à primeira divisão da Liga inglesa, em 2013, e conquistasse a Premier League na temporada 2015/2016, pela primeira vez na História.

Entretanto, esta não é a primeira vez em que o futebol brasileiro é alvo de investimento estrangeiro. O austríaco Dietrich Mateschitz, fundador da maior marca de energéticos do mundo, a Red Bull, adquiriu o atual Red Bull Brasil, da cidade de Campinas/SP, a fim de ampliar sua rede de clubes internacionais, ao somar com os times do Red Bull Salzburg (Áustria), o New York Red Bulls (EUA) e o Red Bull Ghana (Gana), além da detenção de 49% do RB Leipzig (Alemanha).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Sócios votam a favor da terceirização do Departamento de Futebol do Nacional FC” (Fonte):

https://res.cloudinary.com/nacionalfc1913/w_1000,h_750,c_fill/site/2018/03/nacionalfc-age-20180323.jpeg

Imagem 2Sede da Ledman Optoeletronic, na cidade de Shenzhen, China” (Fonte):

http://www.ledman.com/lm/Uploads/image/20160122/20160122081516_81773.jpg

Imagem 3Escudo do Shenzhen Ledman Football Club” (Fonte):

http://www.ledman.com/lm/Uploads/image/20170303/20170303105058_18377.jpg

About author

Pós-graduado em Gestão de Negócios Internacionais pela Business School São Paulo (BSP), Bacharel em Relações Internacionais no Centro Universitário Fundação Santo André - Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas. Bolsista pelo CNPq em 2009 com o projeto de iniciação científica "A Soberania Nacional em face dos Tratados Bilaterais: A Questão do Tratado de Itaipu". Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Atitude e Ideologias Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: integração, direito, democracia, segurança e negociação internacional. Em sua carreira, conquistou o cargo de Gerente de Negócios Internacionais. Está em contato com o comércio exterior, aprofundando seu conhecimento e focando suas habilidades para os procedimentos de importação. Já participou de diversas feiras internacionais, representando sua empresa, tendo a função de estreitar o relacionamento com fornecedores, investidores e clientes estrangeiros, além de trabalhar a marca da empresa e conquistar distribuições em diferentes continentes.
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