América do NorteECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Trump declara que poderá taxar em até 25% as importações de carros

De acordo com o Jornal El País, na última quarta-feira (dia 23 de maio), o presidente Donald Trump ordenou que fosse iniciada uma investigação sobre as importações de carros – incluindo SUVs e picapes – com a intenção de aplicar uma tarifa de até 25%, caso seja determinado que elas colocam a economia dos EUA em risco. A intenção é limitar a entrada de carros no país.

Donald Trump

O México exportou 2,3 ​​milhões de veículos para os Estados Unidos no ano passado (2017), de longe o maior mercado, pois o vizinho do Norte, do qual depende um quarto do PIB do México, compra 75% dos veículos que deixam as fábricas de montagem mexicanas.

O setor automotivo é um dos grandes obstáculos na negociação já muito complexa para atualizar o NAFTA. Washington quer reduzir as importações de veículos acabados do México, que, nas últimas três décadas, se tornou a principal plataforma de manufatura para muitos países. Por isso, atualmente, as empresas de origem norte-americana querem que as montadoras mexicanas aumentem o percentual de autopeças estadunidenses na fabricação dos automóveis.

A medida tarifária, afetaria também a União Europeia e, especialmente, a Alemanha, já que 15% das vendas da BMW e da Mercedes são feitas nos EUA, além de 12% dos carros da Audi e 5% dos da Volkswagen. Seria, claramente, um revés na linha d’água dessas empresas e também de seus concorrentes americanos, que fabricam principalmente fora do país norte-americano.

Fabricantes de automóveis asiáticos como Nissan, Toyota, Hyundai ou Kia também sofreriam com essas novas barreiras de entrada no mercado estadunidense. Por isso, os governos do Japão e da Coréia do Sul foram rápidos em dizer que vão monitorar a situação.

A China, que cada vez mais olha para os EUA como um mercado potencial para a sua crescente indústria automotiva, acrescentou que defenderá seus interesses. Declarou o Ministério do Comércio: “A China se opõe ao abuso de cláusulas de segurança nacional, que podem prejudicar gravemente os sistemas multilaterais de comércio e atrapalhar a ordem normal de comércio internacional. Vamos acompanhar de perto a situação sob investigação dos EUA e avaliar completamente o possível impacto e defender resolutamente nossos próprios interesses legítimos”.

Importações e exportações globais de carros em 2011

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (dia 24 de maio), o Departamento de Comércio dos EUA explicou que a investigação será feita com base na seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, para determinar se essas importações representam uma ameaça à segurança nacional. O Secretário, Wilbur Ross, vai trabalhar em coordenação com o chefe do Pentágono, James Mattis, para realizar uma investigação que durará meses. Trata-se de uma política semelhante à adotada para implementar as restrições às compras de aço e alumínio no exterior, uma medida que ainda não entrou em vigor para os principais parceiros comerciais dos EUA, mas também paira como uma ameaça ao longo dos anos.

Os Estados Unidos produziram cerca de 12 milhões de carros e caminhões em 2017 e importaram 8,3 milhões de automóveis por 192 bilhões de dólares. Desse total, 2,4 milhões de unidades vieram do México, 1,8 milhão do Canadá e 1,7 milhão do Japão.

O governo dos EUA apoia sua suspeita nos dados de que as importações de veículos de passageiros passaram dos 32% que representavam as vendas há duas décadas atrás para os 48% que representam hoje. No mesmo período, a produção nacional foi reduzida em 22%, apesar do fato de que as compras de veículos são de recordes históricos, aproveitando o calor da melhoria econômica que houve na área. Ele também ressalta que apenas 7% dos componentes utilizados na indústria são de origem nacional.

Ross explica que seu medo é que essa perda de capacidade de produção afetará os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na indústria, que por décadas foi uma das mais importantes fontes de inovação tecnológica nos EUA. Além disso, menciona a perda de emprego qualificado em um momento em que a indústria está entrando em novas tecnologias de mobilidade e eletrificação em todo o mundo.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Fábrica da Tesla, na Califórnia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Tesla_Factory

Imagem 2Donald Trump” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Donald_Trump_August_19,_2015_(cropped).jpg

Imagem 3Importações e exportações globais de carros em 2011” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Automotive_industry_in_the_United_States

About author

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!