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TTIP: o desafio de criar uma Área de Livre Comércio entre os EUA e a União Europeia

O Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP, em inglês) começou a ser negociado em 2013 entre os Estados Unidos e a União Europeia, visando criar a maior Área de Livre Comércio do mundo, responsável por 60% do PIB global.

Mas, o que começou como uma grande promessa para voltar a restabelecer o eixo econômico do Atlântico, e fortalecer a economia dos países desenvolvidos, transformou-se em um dos maiores desafios para o Bloco Europeu e motivo de desavenças e acirramento da competição interna, além de discussões nos dois lados do Atlântico.

Segundo pesquisa realizada pelo canal Euronews, mais de 50% da população europeia é contrária ao Acordo econômico, com medo de que o mesmo possa abalar o setor produtivo, aumentando as já elevadas taxas de desemprego, além de reduzir a competitividade dos produtos e a qualidade dos mesmos. Outro impasse que enfrenta é a difícil tarefa de harmonizar as normativas dos países implicados e o controle das empresas, além da questão ambiental e, em última instância, as questões de segurança internacional.

Nos Estados Unidos, o Acordo também é visto com receio, já que as diretrizes europeias em relação a atuação da União no mercado podem colocar as empresas americanas em uma situação complicada, além da necessidade de contínuas adequações que podem inviabilizar o fluxo normal dos produtos ou gerar concentrações de mercado em determinados setores.

Voltando à União, outro fator importante para os seus membros são os direitos sociais conquistados ao longo dos anos, os quais podem ficar em segundo plano com a aprovação do TTIP, sendo está uma trajetória que poucos países pretendem seguir.

Protesto

Protesto

Uma eventual saída do Reino Unido, também coloca em xeque a sua consolidação, já que o Reino Unido tem sido um importante veículo para a economia americana dentro da União Europeia e do setor financeiro, sendo um elo fundamental para o êxito do projeto.

Por outro lado, outros Acordos multilaterais que estão sendo negociados pelo Bloco Europeu, tal como o que vem sendo trabalhado com o Mercosul, também seguem paralisados perante a dificuldade de integrar os diversos interesses dos países participantes.

O maior desafio que enfrenta a União Europeia é equilibrar os interesses dos países membros em um cenário onde as assimetrias são cada vez mais visíveis e questões fundamentais do Bloco estão sendo reavaliadas, destacando-se que o choque entre as políticas keynesianas da União Europeia com a política historicamente liberal dos Estados Unidos serve como cenário onde se desenvolvem as negociações. Além disso, a situação interna do Bloco dificulta o avanço, tanto quanto outros fatores externos.

As tensões políticas registradas nos países do Mediterrâneo, tais como a Grécia ou a Espanha, indicam mudanças no cenário europeu e os sinais de estagnação da economia global aumentam a urgência do Tratado. Nesse sentido, as manifestações contra indicam os pontos que devem ser negociados com a sociedade, antes da sua legitimação e implementação.

A Europa foi durante séculos o centro da atividade econômica mundial. Mesmo quando substituída pelos Estados Unidos, o continente continuou sendo um importante player global. Isso fez com que o eixo econômico do planeta permanecesse na região do Atlântico Norte, concentrando, neste ponto, mais da metade da riqueza e do comércio mundial, e separando os países considerados centrais daqueles que atuavam apenas na periferia da economia internacional.

Após a formalização do Tratado Transpacífico, a Europa corre contra o tempo para não se converter em periferia após a movimentação do centro econômico global para o eixo do Pacífico, aumentando sua dependência internacional, já existente no âmbito militar, através da OTAN, e também pode se estender a outros setores, devido a fatores internos do Bloco e externo a ele.

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Imagem 1 (Fonte):

http://verdenfata.com/wp-content/uploads/2015/06/stop-ttip-generic-fb.jpg

Imagem 2 (Fonte):

 

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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