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Um dilema para o “Partido Social Democrata” alemão

Após uma semana de negociações, um governo de coalizão liderado pela atual Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ainda está longe de ser anunciado. Com cerca de 41,5% dos votos, o “Partido da União Democrata-Cristã” (CDU) e seu “partido irmão” da Bavária, a “União Social Cristã” (CSU), precisam de apenas cinco assentos para obter a maioria no Bundestag (“Parlamento Federal”). Contudo, apenas mais três partidos obtiveram mais de 5% dos votos, necessários para adentrar no Parlamento[1], causando grandes dificuldades ao CDU/CSU.

Uma das possibilidades de Merkel consiste em realizar uma aproximação com o Partido Verde” (8,4%), considerado de centro-esquerda. Entretanto, devido aos resultados insatisfatórios obtidos nesta última eleição, líderes do partido renunciaram aos seus postos e teve início um processo de reformulação interna, o que poderá prejudicar as conversas. Conforme apontado pelo chefe dos parlamentares da CDU, Volker Kauder, “não podemos falar com os verdes, pois não sobrou nenhum líder para conversar[2].

Uma alternativa, cada vez mais remota, seria de iniciar conversas com o Die Linke” (8,6%), remanescente da “Alemanha Oriental”. As propostas radicais defendidas pelo partido, como a nacionalização dos bancos e a retirada do país da “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN), dificultam a aproximação com o CDU/CSU. Ademais, o “Die Linke” anunciou que não pretende formar tal parceria e defendeu um fortalecimento da oposição no país. Uma coligação com o “Partido Social Democrata” (SPD), repetindo assim a parceria que governou o país de 2005-2009, é vista como a melhor opção pela população alemã. Em pesquisa recentemente divulgada, 48% dos alemães são favoráveis a grande coalizão (CDU/CSU e SPD), enquanto 18% demonstraram-se favoráveis à coligação entre o CDU/CSU e o “Partido Verde”.

Após a grande coalizão de 2005, o SPD sofreu com uma séria perda de eleitores, insatisfeitos com a parceria realizada. Como consequência, as votações para o Bundestag de 2009 e 2013 registraram uma queda significativa dos votos do partido. Internamente, grupos de políticos começam a pressionar as lideranças do SPD para que rejeite esta reaproximação com o CDU/CSU.

Mas, a posição do partido ainda é incerta, uma vez que há uma divisão interna significativa entre aqueles favoráveis e os contrários à coligação. Os social-democratas já consideram realizar um referendo interno para saber a posição de seus membros.

A posição do SPD não é nada fácil. Caso rejeite a coalizão, Merkel terá que governar com um governo de minoria, podendo acarretar em uma instabilidade política no país, resultando, provavelmente, na convocação de novas eleições. Por outro lado, caso os social-democratas aceitem, a oposição no Bundestag só terá 127 assentos, de um total de 630, incapacitando fortemente uma ação política por parte dos partidos contrários ao governo[3]. Formalmente, como estipulado pelas leis do país, Merkel tem até o dia 22 de outubro (2013) para terminar as negociações, data na qual o Bundestag terá seu encontro inaugural.

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Imagem (Fonte):

http://www.dw.de/image/0,,17024199_303,00.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/problemas-para-merkel/

[2] Ver:

http://euobserver.com/political/121583

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2013/sep/27/angela-merkel-grand-coalition-germany

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Ver mais:

[1] Ver:

http://www.economist.com/news/europe/21586895-angela-merkel-wins-big-now-depends-opposition-form-government-new-match

[2] Ver:

http://www.dw.de/spd-in-a-bind-after-merkel-victory/a-17117990

About author

Mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (Usp); Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). Colaborador do Núcleo de Análise da Conjuntura Internacional (NACI) e do Núcleo de Estudos de Política, História e Cultura (Polithicult). Experiência profissional como consultor de negócios internacionais. Atua nas áreas de Política Internacional, Integração Europeia, Negócios Internacionais e Segurança Internacional. No CEIRI NEWSPAPER é o Coordenador do Grupo Europa.
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