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No ano de 2009, a estratégia postulada pela administração do democrata Barack Obama (2009-2017) para o início do processo de paz no Oriente Médio consistia nos ajustes necessários no que tange aos assentamentos israelenses em terras palestinas, exigindo um congelamento absoluto da construção de moradias na Cisjordânia e em outros terrenos das cercanias Israel-Palestina. A pré-condição imposta por Washington na ocasião tinha como justificativa evitar que o avanço dos assentamentos inviabilizasse a futura divisão do território entre Israel e o futuro Estado palestino.

Todavia, para especialistas em Oriente Médio, a estratégia da administração estadunidense acabou por ser pouco efetiva, uma vez que tanto o Governo de Israel, quanto a liderança palestina se mostraram relutantes em negociar nesses termos, inviabilizando, assim, uma solução nas negociações de paz, logo nos primeiros dias de mandato do Presidente democrata.

Na nova frente de oportunidades que se abre com a ascensão do presidente Donald J. Trump, a visita na última semana do Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, consolida a disposição de Trump em se envolver no tema de maneira que não destrua as normas pré-estabelecidas anteriormente pela história.

A incursão sobre a problemática do Oriente Médio pela administração republicana após a posse já sinalizou para algumas mudanças conjunturais e estruturais, a começar pela transferência da embaixada dos EUA de Tel-Aviv para Jerusalém, além da possibilidade de anuência a novas construções de assentamentos israelenses.

Nesse sentido, na linha interpretativa do Presidente, mesmo com essas medidas pontuais, há intenção de tornar a paz na região uma de suas prioridades em política externa. Para tanto, tomou medidas para construir um bom relacionamento, primeiramente com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, além de promover Jason Greenblatt a enviado especial para o Oriente Médio e para negociações internacionais, fato este que resultou no convite da Casa Branca a Mahmoud Abbas, uma forma de balancear o tema com os dois principais líderes.

Para Trump, que já descreveu o acordo de paz israelense-palestino como “a última negociação” (em tradução livre do inglês), a visita de Abbas é uma nova etapa introdutória do acordo em que pediu o retorno do líder à mesa de negociações, algo pouco considerado por especialistas, dada a interpretação palestina de que as negociações dos últimos 25 anos serviram apenas para israelenses “comprarem” tempo, enquanto continuavam a construir assentamentos e, assim, perpetuar a ocupação.

Com uma preparação para o encontro ocorrendo desde os primeiros dias da administração Trump, inicialmente priorizando temas como inteligência e segurança, através de Majed Faraj, chefe do serviço de inteligência palestino, e de Mike Pompeo, o diretor da Central Intelligence Agency (CIA, na sigla em inglês), o a reunião agora promovida pelos líderes incluiu outras questões bilaterais, dentre as quais: cooperação de segurança e troca de informações entre os dois serviços de inteligência; apoio político e financeiro contínuo por meio do Governo Trump; tecnologia de comunicações 3G para a Cisjordânia; bem como remoção de tributação indireta dos serviços de saúde e reparação do sistema de água do território controlado pela liderança de Ramallah.

Outro ponto levantado pela mídia local em Israel, ao longo da visita do líder palestino aos EUA, foi a abordagem de Trump para o conflito palestino-israelense como sendo um tema mais alinhado aos interesses regionais dos EUA. Para o periódico Yedioth Ahranoth, Trump está sob influência de três generais (o Secretário de Defesa, James Mattis; o Conselheiro de Segurança Nacional, H.R. McMaster; e o Secretário de Segurança Interna, John Kelly) que acreditam ser a solução do conflito palestino algo necessário para auxiliar nos esforços de guerra contra o extremismo na região. A resultante do encontro, entretanto, só poderá ser medida a longo prazo, provavelmente após a passagem de Trump pela Casa Branca.

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Imagem 1 Mapa da Palestina e da Terra Santa publicado em Florença por volta de (1480)” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Palestine#/media/File:Present-Day_Palestine_and_the_Holy_Land_-_1400s.png

Imagem 2 Encontro entre Barack Obama e Mahmoud Abbas no Salão Oval da Casa Branca” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Abbas#/media/File:Barack_Obama_meets_with_Mahmoud_Abbas_in_the_Oval_Office_2009-05-28_1.jpg

Imagem 3 Evolução dos assentamentos israelenses de 1946 a 2010” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/36/Palestinian-loss-of-land-1946-2010.jpg

Imagem 4 Trump em conversa com o VicePresidente Mike Pence e John F. Kelly, Secretário de Segurança Nacional” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Donald_Trump#/media/File:POTUS_visits_DHS_(31741970743).jpg

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About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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