ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Uma nova Marca China para o mundo

Ao longo dos anos, a China vem trabalhando forte em sua imagem para obter respeito e admiração de outras nações. Sendo assim, trabalha pesado com investimentos dentro e fora do país, englobando as áreas das finanças, comércio, esportes, cultura e segurança, objetivando apresentar a sua grandeza. Atualmente, o país espera chamar a atenção de grandes eventos culturais e esportivos e deixar de lado apenas a sua imagem de uma nação com grande poder militar e econômico.

Não é difícil entender por quais motivos a propaganda chinesa está objetivando explorar outras áreas culturais e econômicas para se tornar uma grande referência no globo. Desde o ano de 2008, quando ocorreu a primeira grande crise financeira internacional do século XXI, o país se tornou o refúgio de investimentos dos cinco continentes, graças a sua estabilidade econômica em constante crescimento. Porém, passado o pior momento da crise financeira, ele não preservou a confiança que muitos investidores, comparativamente, mantém, por exemplo, em relação à Washington.

No ano passado (2013), a “Universidade de Harvard” havia apresentado um estudo resumido sobre os “Estados Unidos” e a China, chamado “America and China: Global images of the world’s two largest economies”, e demonstrou que a imagem de Washington ainda é mais positiva que a de Beijing. A pesquisa foi realizada com 38 países, questionando cidadãos comuns, empresários e formadores de opinião, contendo questões variadas sobre temas econômicos e culturais e, no resultado, a segunda maior potência global esteve atrás dos EUA na opinião pública em vários aspectos.

Dos 38 países, em 28 deles a opinião foi favorável aos EUA e em apenas 19 os chineses receberam votos positivos. Nas regiões onde os estadunidenses obtiveram a preferência, o Japão também esteve a frente de Beijing, porém, na região do “Oriente Médio” e África os chineses ficaram à frente dos norte-americanos.

Entre 2010 e 2013, houve constantes variações na opinião pública em relação aos dois graças ao posicionamento destas duas potências em assuntos globais, como Segurança e Economia. Nos países em desenvolvimento, por exemplo, as ações chinesas, impulsionadas pelos grandes investimentos, fazem com que a China seja mais positiva por gerar mais benefícios econômicos e por não se aprofundar tanto em questões políticas regionais.

A China ganhou bastante força na opinião pública internacional graças ao seu poder econômico e a sua forma de adentrar em novos mercados, principalmente de regiões onde a cultura local é extremamente fechada, como na África e no “Oriente Médio”, mas a grande máquina de cultura dos EUA, impulsionada por megaproduções de Hollywood ainda deixa Washington na frente. A cultura norte-americana vem sendo disseminada no mundo desde a década de 1950 com filmes, música entre outros elementos culturais, enquanto a China passou a investir pesado neste setor apenas nos últimos 20 anos.

Partindo do ponto em que a economia chinesa já se tornou uma das principais engrenagens da economia global, hoje, sua manutenção continua importante, mas, para a propaganda chinesa, existe a necessidade de investir na divulgação da sua cultura no mundo. Com isso, os mercados da cultura, do turismo e dos esportes podem se tornar novos componentes de peso para o PIB chinês.

Para atingir seus objetivos, a China já está alternando algumas políticas internas que envolvem temas humanitários, como a política do “Filho Único”, o investimento em esportes olímpicos e populares, como o Futebol, e no intercâmbio cultural entre jovens pelo mundo. Além disso, o país também investe na promoção de sua cultura pelo globo, através da sua indústria cinematográfica e de eventos culturais realizados em nações amigas.

No início do ano de 2013, os dados da indústria cinematográfica chinesa apontavam constante crescimento. Até então, havia arrecadado US$ 2,693 bilhões no ano fiscal de 2012, significando um crescimento de 28,2% em comparação ao ano de 2011. O país possui uma cota de até 34 filmes estrangeiros que podem ser produzidos em território nacional, além de apoiar as produções locais, o que incentivou gigantes do cinema como a “DreamWorks” (News Corp.) a comprar parte da “Bona Film Group”, aumentando o número de filmes estrangeiros sobre o país asiático.

As produções locais ainda se baseiam nas artes marciais, tendo Jackie Chan e Jet Li como seus garotos propaganda. Ambos atores fizeram fama e riqueza tanto no mercado doméstico quanto no estadunidense e, hoje, possuem suas próprias produtoras no sul da China. Suas assinaturas são dadas como certa para ganhar o público fora do país.

Todas as obras chinesas são apresentadas anualmente em festivais de cinema pelo mundo, principalmente na França, e também no Brasil, onde existe um grande público formado por descendentes de chineses. O último Festival foi realizado em “São Paulo” no mês de outubro de 2013, sendo a 37a edição do mesmo.

Neste ano de 2014, ano de “Copa do Mundo”, a China está investindo pesado na sua Liga profissional de futebol, contando com grandes contratações e buscando se inserir no calendário internacional das grandes competições realizadas pela FIFA. Por exemplo, está entrando na disputa para ser a sede da “Copa do Mundo de Clubes da FIFA” entre os anos de 2015 e 2018.

O esporte gera bilhões de dólares em todo o planeta, cifras que são compostas com grandes ações de comunicação e marketing, turismo cultural e econômico dentre outros temas. Apenas no Brasil, mais de R$ 2,43 bilhões foram faturados durante a temporada de 2012, um faturamento composto por receitas de rádio, TV, público nos estádios e marketing dos 20 maiores clubes brasileiros, tornando o país a sexta maior liga mundial entre 2012 e 2013.

Todo o calendário esportivo chinês foi revisado e, desde 2011, milhões são investidos nos clubes, nos estádios e em outros setores que envolvem a modalidade, demonstrando que está seguindo os passos do Japão e da “Coreia do Sul”, com investimentos na estrutura e em contratações internacionais para desenvolver seu próprio estilo, visando tentar sediar uma “Copa do Mundo” quando estiver com uma equipe competitiva.

A atual “Liga Chinesa” ganhou espaço na imprensa internacional graças a grandes contratações, como a dos costamarfineses Didier Drogba e Nicolas Anelka que estiveram no país na temporada de 2012. Hoje, clubes da China estão contratando jogadores também famosos da Liga brasileira, como Aloísio do “São Paulo”, e por sondar nomes de atletas como Fred, do Fluminense, e Cícero, do Santos. O Continente asiático é o grande mercado que está contratando jogadores estrangeiros, mas os milionários times da China, como o “Shandong Luneng” e o “Guangzhou Evergrande”, são os que ganham a atenção, graças aos seus altos poderes aquisitivos.

Os investimentos foram positivos, tanto que o Evergrande superou os clubes da Ásia, tornou-se campeão continental e disputou a “Copa do Mundo de Clubes da FIFA”, consagrando o futebol chinês no cenário esportivo internacional.

A China não está poupando investimentos na indústria cultural e esportiva e espera que neste ano de 2014 a “Marca China” seja comprada pela opinião pública internacional como uma marca da cultura e dos esportes, centrando a visão estrangeira para outros temas que não envolvam apenas a política econômica e militar do país, tornando-a, assim, também uma fonte de referência global esportiva e multicultural.

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Imagem (Fonte):

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Fontes consultadas:

VerHavard”:

http://journalistsresource.org/studies/international/china/america-china-global-images-worlds-two-largest-economies (Resumido).

Ver:

http://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/01/09/cinema-chines-entre-seguir-o-caminho-de-hollywood-e-manter-as-raizes.htm

Ver:

http://www.socinema.com.br/37o-mostra-internacional-cinema-sao-paulo-ciclo-filmes-chineses

Ver:

http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2013/08/02/brasil-e-o-sexto-maior-mercado-do-futebol-mundial/

Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2013/12/25/1s177540.htm

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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