EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

União Europeia renova as sanções à Crimeia

Os embaixadores dos 28 Estados que compõe a União Europeia (UE) decidiram renovar por um ano as sanções impostas à península da Crimeia e à Cidade Autônoma de Sebastopol. A decisão foi anunciada pelo Conselho Europeu, em 19 de junho, segunda-feira passada, e estará em efeito até 23 de junho de 2018. As ações de reprimenda foram implementadas pela UE em 2014, após a região ter declarado a secessão da Ucrânia e ter optado por ser incorporada pela Rússia.

Logo do Conselho Europeu

As restrições impostas consistem na proibição da importação de produtos provenientes da Crimeia; no impedimento de empresas europeias, ou baseadas na EU, em investirem na península; e na vedação do fornecimento de determinados bens e serviços estratégicos, em especial aqueles que possibilitam a exploração e produção de petróleo e gás natural. Essas medidas estão inseridas em um conjunto mais amplo de sanções econômicas infligidas à Rússia em resposta ao que a União Europeia entende ter sido uma “anexação ilegal” da Crimeia por Moscou.  

As sanções à Rússia, que já entram em seu quarto ano de vigência, foram parcialmente responsáveis pela sua continuada crise econômica e pela sensível depreciação do Rublo, que perdeu mais da metade do valor frente ao dólar americano. Porém, as medidas também impactam negativamente a Europa, ainda que de forma desigual entre seus membros. Estimativas apontam que nos últimos anos a UE deixou de arrecadar 44 bilhões de Euros em exportações e tenha perdido 900 mil postos de trabalho como resultado da deterioração das relações comerciais e das medidas de retaliação à importação de produtos alimentícios europeus impostas pelo Kremlin.

 

Base militar russa em Sebastopol, Crimeia

 

Embargos econômicos vêm sendo usados corriqueiramente como instrumento político, sendo Cuba, Irã e Coreia do Norte os exemplos mais notórios. No entanto, em nenhum desses casos eles alcançaram os objetivos que justificaram sua implementação. A ausência de sinais de que a anexação da Crimeia possa ser revertida torna improvável que as ações contra a Rússia apresentem resultado diferente. Ao contrário, Moscou vem progressivamente adotando abordagem refratária ao Ocidente e forjando novas alianças que sustentem seu posicionamento. Esse cenário impõe um dilema à Europa. Se a inação diante à crise na Ucrânia podia ser tomada como um claro sinal de fraqueza, a ação na forma de supressão do comércio e isolamento político da Rússia deverá levar a perdas ainda maiores.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa da Crimeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Crimea#/media/File:Map_of_the_Crimea.png

Imagem 2Logo do Conselho Europeu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/European_Council#/media/File:Council_of_the_European_Union.svg

Imagem 3 Base militar russa em Sebastopol, Crimeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sevastopol#/media/File:Soviet_and_Russian_Black_Sea_Fleet.jpg

About author

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).
Related posts
Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

ONU relata violação aos Direitos Humanos em áreas de Mineração na Venezuela

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

“Ágil, Eficiente e Responsável”: a nova fórmula para a FAO

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Primeira-Ministra do Gabão: novidade histórica

DEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSegurança Internacional

China testa com sucesso míssil ar-terra para helicópteros militares

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!
Powered by