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Vaga de atentados assola a Península do Sinai

Desde a deposição de Hosni Mubarak, em 2011, o Egito enfrenta uma séria instabilidade política agravada a partir da queda de Muhammad Morsi, em 2013, com consequências que se traduzem na violência que assola o país. Neste cenário, a “Península do Sinai” transformou-se, desde 2011, no local de concentração de grupos irregulares islâmicos. Atualmente,  a organização irregular islamita “Ansar Bayt al-Maqdis” (“Os Partidários de Jerusalém”)[1], também conhecida como “Ansar Jerusalém” (“Os Partidários de Jerusalém”), fundada por egípcios, é o grupo mais ativo no Sinai. Desde 2013, ele alargou a sua área de atuação para o Cairo e outras províncias do Egito.

A “Ansar Bayt al-Maqdis” assumiu a responsabilidade por vários ataques altamente elaborados, dentre os quais se destacam a explosão de um carro-bomba na sede da Polícia no Cairo; a derrubada de um helicóptero militar com um míssil, no norte do Sinai, e o assassinato do general Mohamed Said, que servia como chefe do “Departamento Técnico do Ministério do Interior do Egito”.

Segundo especialistas, o grupo é inspirado na al-Qaeda, mas as autoridades egípcias de Segurança afirmam que ele é derivado da “Irmandade Muçulmana[2]. Porém, a Irmandade tem negado o envolvimento com o grupo, condenando os ataques[3]. No entanto, de acordo com o ex-militante e fundador da “Jihad Islâmica no Egito”, Nabil Naeim, esse grupo foi fundado na “Faixa de Gaza”, em 2011, e, em seguida, começou a operar no Egito. Ainda segundo Nabil Naeim, o grupo é financiado pela “Irmandade Muçulmana” e o “Hamas também é parte do negócio, conforme um acordo de conciliação promovido pelo presidente deposto Muhammad Morsi em troca de cooperação com o Ansar Bayt al-Maqdis[4].

As “Forças Armadas do Egito” estão em ação e o líder de “Ansar Bayt al-Maqdis”, Ibrahim Mohamed Freg, foi morto numa emboscada por forças do “Segundo Corpo do Exército Egípcio” num checkpoint estabelecido na aldeia de “Sheikh al-Toma”, ao sul da cidade de “Sheikh Zuweid”, em 9 de dezembro de 2013. Hoje em dia, aquela organização é responsável por quase todos os ataques sofridos no país, dos quais a “Ansar Bayt al-Maqdis” assume a autoria com entusiasmo, designando-os como “a batalha para vingar os muçulmanos do Egito[5].

O Egito vive numa espiral de violência da qual, aparentemente, está com dificuldades para sair. Segundo David Barnett, especialista associado do think tankThe Long War Journal”, as ações terroristas cometidas pela “Ansar Bayt al-Maqdis” “fazem parecer que as autoridades egípcias estão caçando fantasmas[6]. A sucessão de ataques que o Egito tem sofrido colocou o país numa situação de grande instabilidade, que as “Forças de Segurança” parecem não ter capacidade para controlar.

Neste momento, é difícil prever o fim da violência no Egito, pois os descontentamentos que puseram em confronto as autoridades egípcias e os seus opositores tendem a prosseguir. A impossibilidade de abertura para o diálogo entre o Governo e os grupos irregulares trava as expectativas de qualquer solução negociada e abre espaço para o agudizar das hostilidades entre as forças beligerantes, deixando vulnerável a segurança tanto para as autoridades quanto para os cidadãos egípcios.

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Imagem (Fonte):

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/3/38/Ansar_Bayt_al-Maqdis_(%D8%B4%D8%B9%D8%A7%D8%B1%D8%A7%D8%AA_%D8%AC%D9%85%D8%A7%D8%B9%D8%A9_%D8%A3%D9%86%D8%B5%D8%A7%D8%B1_%D8%A8%D9%8A%D8%AA_%D8%A7%D9%84%D9%85%D9%82%D8%AF%D8%B3_3).png

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://twitter.com/Ansar_almqds

Ver também:

http://www.maannews.net/Eng/ViewDetails.aspx?ID=670040

[2] Ver:

http://www.maannews.net/Eng/ViewDetails.aspx?ID=670040

[3] Ver:

http://www.dailynewsegypt.com/2013/11/20/ansar-beit-al-maqdis-claims-responsibility-for-officer-assassination/

[4] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/perspective/features/2014/02/01/Ansar-Bayt-al-Maqdis-Egypt-s-own-al-Qaeda-.html

[5] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/perspective/features/2014/02/01/Ansar-Bayt-al-Maqdis-Egypt-s-own-al-Qaeda-.html

[6] Ver:

http://www.maannews.net/Eng/ViewDetails.aspx?ID=670040

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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