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Venezuela abre portos para navios militares russos

Com a assinatura de um acordo de cooperação militar entre a Federação Russa e a Venezuela no último dia 15 de agosto (2019), especialistas militares apontam que o Kremlin está muito próximo do seu objetivo de implantar bases militares no país caribenho. O acordo, acertado entre o Ministro da Defesa da Rússia, general Sergey Shoigu, com seu homólogo venezuelano, Vladimir Padrino Lópes, permite, num primeiro momento, o amplo envio de navios de combate das frotas dos dois países de forma bilateral, ou seja, um poderá se deslocar para portos navais do outro apenas por meio de “notificação prévia”. Posteriormente, com o andamento desse acordo, a possibilidade de estabelecimento de um centro aeronaval russo pode tomar corpo, o que vem sendo discutido desde 2005, entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o falecido Presidente venezuelano, Hugo Chaves, quando, à época, firmavam os contratos iniciais de compra de equipamentos e sistemas para as Forças Armadas Bolivarianas.

Localização Ilha La Orchila

De acordo com os especialistas, Moscou provavelmente calcula que as relações estreitas com a Venezuela, em torno de acordos, vendas de armas, comércio ou negócios de energia, irá resultar em acesso a portos e aeródromos em seu território, permitindo, assim, a implantação de ativos militares na região, principalmente na ilha de La Orchila, localizada a 200 quilômetros a nordeste de Caracas, capital da Venezuela, e a 1.500 quilômetros da Flórida (estado norte-americano), onde já existem certas facilidades estratégicas como campo de pouso e serviços navais, o que poderia possibilitar a expansão de sua pegada militar e de segurança no hemisfério ocidental para combater ou pressionar os Estados Unidos militarmente, e que, nas palavras do Ministro da Defesa venezuelano, Padrino López, “um complexo forte vai tirar do agressor a vontade de agredir, servirá de dissuasão contra um invasor”.

Frota militar norte-americana

Os EUA, por sua vez, em oposição ao acordo bilateral russo-venezuelano, expuseram ameaças de bloqueio naval, o que possibilitaria, como medida extrema, o impedimento de passagem de qualquer navio com destino à Venezuela. “A Marinha dos EUA está pronta para fazer o que for preciso na Venezuela”, declarou o Chefe do Comando Sul dos EUA, almirante Craig Faller, em 19 de agosto (2019). Não seria a primeira vez que os Estados Unidos imporiam um bloqueio naval a um país latino. No contexto da Crise dos Mísseis, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval a Cuba com a aprovação da Organização dos Estados Americanos (OEA), em 1962. Naquela época, a justificativa utilizada foi impedir o acesso a navios que transportavam mísseis nucleares provindos da extinta União Soviética.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Frota de navios russos” (Fonte): https://img.novosti-n.org/upload/news/445636.jpg

Imagem 2 Localização Ilha La Orchila” (Fonte): https://tools.wmflabs.org/geohack/geohack.php?pagename=La_Orchila&params=11_48_N_66_10_W_

Imagem 3 Frota militar norteamericana” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/US_Navy_050614-N-0120R-050_The_conventionally_powered_aircraft_carrier_USS_Kitty_Hawk_%28CV_63%29_and_the_guided_missile_cruiser_USS_Cowpens_%28CG_63%29_receives_fuel_during_a_replenishment_at_sea.jpg

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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