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Violência na República Centro Africana leva a novos deslocamentos da população

A partir de informações disponibilizadas pela Organização das Nações Unidas, o número de pessoas que precisam de proteção e ajuda humanitária na República Centro Africana aumentou de 2,5 milhões para quase 3 milhões. Cerca de dois terços dos cidadãos estão dependentes de auxílio para sobreviver, mais de 70% não tem acesso a água potável e 1,8 milhão enfrentam insegurança alimentar. Mensalmente, os atores humanitários são responsáveis pela assistência de mais de 750.000 indivíduos.

A secretária-geral adjunta para os Assuntos Humanitários e vice-coordenadora de Assistência de Emergência, Ursula Mueller, constatou o cenário complexo ao visitar as cidades de Bria, Alindao, Bangui e Bangassou durante sua missão de uma semana de duração no país. Afirmou também que a situação continua a se deteriorar e um fundo adicional é necessário para suprir as necessidades humanitárias. No entanto, notou que em algumas regiões houve um aumento na liberdade de locomoção e acesso humanitário sendo uma esperança para os civis.

Ursula Mueller

A principal reivindicação do povo, segundo Ursula Mueller, são serviços básicos como acesso a água, saúde e educação. Muitos dos que foram deslocados não conseguem retornar às suas casas pela insegurança e falta dos serviços previamente citados. A vice-coordenadora de Assistência de Emergência expôs também que “durante esse período crítico, os atores envolvidos nas atividades de desenvolvimento precisam aumentar seus programas ao mesmo tempo em que os atores humanitários terão de continuar a assistência para salvar vidas”. A República Centro Africana é uma das regiões mais perigosas para se trabalhar, tendo reportados, até 4 de setembro de 2019, 26 funcionários feridos e 3 mortos.

A cada 60 minutos é realizada a denúncia de um incidente baseado na violência de gênero, sendo 92% das vítimas mulheres e garotas. Durante às diversas reuniões, incluindo com representantes de grupos armados, foi reforçado o compromisso internacional do Direito Humanitário e a responsabilidade de respeitá-lo, protegendo principalmente os civis, funcionários e seus recursos. Assim, um dos intuitos da visita foi de buscar a justiça para as vítimas e findar a impunidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Refugiados na República Centro Africana observando soldados ruandeses desembarcando em Bangui (capital) em 2014” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Refugees_of_the_fighting_in_the_Central_African_Republic_observe_Rwandan_soldiers_being_dropped_off_at_Bangui_M%27Poko_International_Airport_in_the_Central_African_Republic_Jan._19,_2014_140119-F-RN211-760.jpg

Imagem 2Ursula Mueller” (Fonte – Foto de Perfil do Twiter de Ursula Mueller: https://twitter.com/UschiMuller):  https://pbs.twimg.com/profile_images/956594767114178560/82E90Fnf_400x400.jpg

About author

Bacharela em Relações Internacionais pelo Centro Universitário IBMR - Laureate International Universities. Pesquisadora na mesma instituição pelo Núcleo de Pesquisa Maria Rabello Mendes (NUPREM) e coordenadora da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Operações de Paz (REBRAPAZ). Realizou cursos em instituições notáveis como Curso de Estudos de Política e Estratégia (CEPE) da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG), Curso de Coordenação Civil-Militar do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), Curso de Geopolítica na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), entre outros. Realizou artigo para a conclusão da graduação sobre a relação entre a liderança e legitimidade da atuação brasileira em Operações de Paz e seus efeitos diplomáticos no Conselho de Segurança da ONU. Ressalta-se também o artigo realizado sobre o Relatório Santos Cruz apresentado na Escola Superior de Guerra - 2018 e o artigo sobre as Operações de Paz da ONU e OTAN através da visão Comparativa do Direito Internacional aceito pela Academia Brasileira de Direito Internacional - 2019 e apresentado durante seu evento anual.
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