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Vítima de ataque com agente químico Novichok encontra-se com Embaixador da Rússia no Reino Unido

No dia 7 de abril (2019), o cidadão inglês Charles Rowley realizou uma visita à Embaixada da Rússia no Reino Unido, onde realizou uma reunião com o embaixador russo Alexander Yakovenko. Em julho do ano passado (2018), Rowley e sua namorada, Dawn Sturgess, foram hospitalizados sob a suspeita de terem sido envenenados pelo agente nervoso Novichok, arma química que também foi encontrada em Sergei Skripal, ex-espião russo, e em sua filha Yulia, em março daquele ano.

Em ambos os casos, as autoridades britânicas acusam a Rússia de estar envolvida nos ataques com Novichok. Segundo as investigações conduzidas, dois nacionais russos são suspeitos, já que, por meio de imagens e vídeos, foi observado que eles circularam pela área do envenenamento horas antes dos Skripal serem encontrados inconscientes. Além dessas evidências, o Governo inglês acusou a Federação Russa pelos ataques por conta de o agente Novichok ter sido criado há muitos anos na antiga União Soviética.

A partir desses acontecimentos, Rowley e Yakovenko conduziram uma reunião na qual foram discutidas questões referentes a ambos os ataques e a possibilidade do próprio Rowley encontrar-se pessoalmente com o presidente russo Vladimir Putin para tratar sobre o assunto. As percepções acerca desse encontro entre o Embaixador e a vítima inglesa são ambíguas. Pela mídia russa, a situação foi descrita como bastante informativa e bem amigável; já pelas fontes inglesas, a reunião não trouxe nenhuma informação nova a Rowley, o qual seguiria acreditando que o responsável pelos ataques é a Rússia. Essas duas interpretações sobre a mesma situação demonstram o desgaste diplomático que vem ocorrendo entre os dois países desde março do ano passado (2018).

Em entrevista a um jornal britânico, Rowley afirmou que perguntou ao Embaixador diversas questões acerca dos ataques, como o porquê de os suspeitos russos não terem sido entrevistados pela polícia inglesa. E declarou: “eu não consegui nenhuma resposta, apenas consegui propaganda russa. Eu gostei do Embaixador, mas acredito que muito do que ele disse para justificar a inocência da Rússia foi ridículo. Eu sou grato por o ter conhecido e sinto que descobri coisas que não sabia antes, mas eu ainda acredito que a Rússia realizou o ataque”.

O Relatório Salisbury: Perguntas Não Respondidas

Em contrapartida, Yakovenko apontou que houve muitas perguntas e que ficou feliz em responder todas. Ele destacou o relatório “Salisbury: Perguntas Não Respondidas” que foi entregue a Rowley, documento no qual há cartas e anotações enviadas pela Rússia ao Reino Unido sobre as investigações, portanto, uma visão detalhada da perspectiva russa sobre o que aconteceu com os Skripal.

Além disso, o Embaixador afirmou que “a maioria das perguntas foi relacionada à completa falta de informação do lado dos britânicos. Foi nos perguntado se a Rússia envenenou os Skripal e se a Rússia é o único país capaz de produzir Novichok. Nós fornecemos uma explicação completa sobre este assunto e eu provei a ele mais uma vez que este Novichok pode ser feito em qualquer laboratório europeu, o que aconteceu na República Tcheca e em outros países também”.

Há, portanto, duas visões diferentes acerca do que foi discutido, assim como há discrepâncias entre as autoridades inglesas e russas acerca do comando das investigações e dos resultados encontrados. O que permanece como certo é que a Rússia e o Reino Unido ainda enfrentam dificuldades diplomáticas para compreender e resolver a situação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Charles Rowleyseu irmão Matthew Rowley e o Embaixador Russo para o Reino Unido, Alexander Yakovenko” (Fonte): https://www.rusemb.org.uk/data/img/activity/747_7b.jpg

Imagem 2 “O Relatório Salisbury: Perguntas Não Respondidas” (Fonte): https://www.rusemb.org.uk/data/img/activity/747_8b.jpg

About author

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.
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